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Porto Alegre, quarta-feira, 16 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Política

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Partidos

Notícia da edição impressa de 17/05/2018. Alterada em 16/05 às 21h54min

Brasil registra onda por troca de nomes de siglas

Imagem negativa dos políticos respinga nos partidos, afirma Peres

Imagem negativa dos políticos respinga nos partidos, afirma Peres


MARCO QUINTANA/JC/MARCO QUINTANA/JC
Bruna Suptitz
Agora é oficial: o partido do presidente da República, Michel Temer, e do governador José Ivo Sartori abandona a letra inicial "P" e passa a se chamar simplesmente MDB. A medida, aprovada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite de quarta-feira, confirma a postura já adotada por representantes da legenda em nível nacional desde a convenção, em dezembro do ano passado.
O nome Movimento Democrático Brasileiro remete à legenda que abrigava opositores do regime militar durante o bipartidarismo que vigorou no período de ditadura militar no Brasil (1964-1985). "Estamos recuperando o nome do MDB e, junto com essa recuperação, queremos ter causas claras para o partido", disse na convenção o presidente da sigla, senador Romero Jucá (RR).
A decisão dos ministros foi unânime, rejeitando impugnações formuladas por filiados emedebistas nos três estados do Sul: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Aqui no Estado, embora lideranças e o próprio diretório ainda utilizassem PMDB, o presidente estadual da sigla, deputado federal Alceu Moreira, afirma que isso não representava contrariedade à decisão nacional. Isso porque a orientação jurídica do diretório foi de manter o nome registrado no TSE até uma decisão definitiva.
A alteração de siglas para nomes em partidos é uma tendência. O cientista político Paulo Sérgio Peres lembra que um dos primeiros casos foi do PFL, que alterou o nome para o atual Democratas, ainda em 2007. Mais recentemente, o TSE registrou a troca do PEN para Patriota, do PTN para Podemos e do PTdoB para Avante.
Outro processo em andamento é do PP, que tenta a mudança da sigla para Progressistas. O diretório nacional informa que o pedido está em andamento e que a mudança oficial já aconteceu a partir do registro no Cartório Civil em 2017. O TSE ainda não deliberou sobre esse caso, e o novo nome, embora ainda não oficial, já é usado em materiais do partido, com orientação do diretório nacional para que todos os estados adotem a nova marca da legenda.
A justificativa para a mudança, no caso do PP, é modernizar a comunicação do partido, mas manter as raízes. "Temos o propósito de acompanhar as transformações sociais, políticas e econômicas do Brasil. A mudança para Progressistas foi amplamente discutida entre os filiados. Essa mudança representa um novo passo na nossa história", afirma o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do partido.
Paulo Sérgio Peres explica que essa medida é uma onda que se iniciou na Europa, de tirar a palavra "partido" da legenda. "A imagem negativa, que é dos políticos, respinga nos partidos", explica. A tendência também é percebida em legendas criadas já sem o "P" inicial, caso de Solidariedade e Novo.
Para o MDB, Peres acredita que poderá não atingir o objetivo esperado, de retomar o legado de oposição à ditadura militar, em que se colocava como um partido democrático e de luta contra a corrupção. "As pessoas e práticas são as mesmas. Se queriam algum truque eleitoral, é só para (atingir) gerações antigas. Eleitores novos nem sabem que tinha o MDB", sustenta.
Tanto neste como nos demais casos, o cientista político acredita que o efeito pode até ser o contrário do esperado. "No limite, o eleitor é capaz de perceber que é mais uma jogada de marketing dos partidos tentando enganá-lo", conclui Peres.
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