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Porto Alegre, segunda-feira, 14 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

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Relações Internacionais

Alterada em 14/05 às 16h11min

Protesto na faixa de Gaza tem confronto e 52 palestinos morrem

Segundo as autoridades palestinas, mais de 2.000 pessoas ficaram feridas, sendo 86 em estado grave

Segundo as autoridades palestinas, mais de 2.000 pessoas ficaram feridas, sendo 86 em estado grave


MAHMUD HAMS/AFP/JC
Folhapress
Atualizada às 13h30min
Milhares de pessoas participaram de um protesto nesta segunda-feira (14) na fronteira entre a faixa de Gaza e Israel, que deixou ao menos 52 palestinos mortos após confronto entre tropas israelenses e os manifestantes, que criticavam a mudança da embaixada americana para Jerusalém.
Segundo as autoridades palestinas, mais de 2.000 pessoas ficaram feridas, sendo 770 por ferimentos a bala, 86 em estado grave. Entre os mortos, pelo menos seis têm menos de 18 anos. Não há informações sobre vítimas israelenses.
Segundo a agência de notícias Associated Press, é o maior número de mortos em um mesmo dia em confrontos entre Israel e palestinos desde 2014. Com isso, este é o dia mais mais violento desde que os palestinos iniciaram uma onda de protestos há sete semanas -no dia 30 de março, foram 23 mortos e mais de mil feridos. Ao todo, já são 94 mortos no período.
Chamados de "a grande marcha de retorno", os atos têm como principal alvo o aniversário de 70 anos da fundação de Israel, que ocorre nesta segunda (14) de acordo com o calendário gregoriano (a comemoração ocorreu em abril no calendário judaico). A data será comemorada em Jerusalém exatamente com a transferência da embaixada americana para a cidade.
Os palestinos planejam o maior de seus protestos para esta terça (15), quando relembram a Nakba (tragédia), como chamam a criação de Israel, quando cerca de 700 mil deles fugiram ou foram expulsos da região.
Outro alvo dos protestos é o bloqueio feito por Israel e Egito contra a faixa de Gaza. Ele foi imposto em uma tentativa de minar o poder do Hamas, grupo islâmico considerado terrorista por Tel Aviv e Washington e que controla a região desde 2007.
Na prática, porém, a facção conseguiu manter o controle sobre a faixa de Gaza, embora o bloqueio tenha piorado a condição de vida dos cerca de 2 milhões de moradores do local.
Nesta segunda, alto-falantes foram usados nas mesquitas para convocar os palestinos a se juntarem ao ato, que seguiu o roteiro dos anteriores. Ele começou de forma pacífica, com os manifestantes se reunindo próximos da fronteira entre a faixa de Gaza e Israel, mas logo descambou em violência quando grupos menores tentaram furar a cerca que delimita a divisa.
As tropas israelenses responderam abrindo fogo nos manifestantes, que começaram então a queimar pneus e a jogar pedras nos soldados.
O governo israelense disse que tomou todas as medidas para impedir que o ato atrapalhe as festividades pela mudança da embaixada. Autoridades americanas como Ivanka Trump e seu marido, Jared Kushner, assessor da Casa Branca para o Oriente Médio, vão participar da cerimônia nesta segunda.
"Minha recomendação para os moradores de Gaza: não fiquem cegos por Sinwar (líder do Hamas), que está mandando suas crianças para se sacrificarem sem utilidade. Nós vamos defender nossos cidadãos de todas as maneiras e não vamos permitir que a fronteira seja cruzada", disse o ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman.
Segundo o Exército israelense, a segurança foi reforçada nas cidades próximas da fronteira, para impedir que manifestantes que consigam furar a cerca cheguem até Jerusalém.
O premiê palestino Rami Hamdallah criticou a a decisão de fazer a mudança de embaixada na véspera da "Nakba". "Escolher um dia trágico na história palestina mostra uma grande insensibilidade e desrespeito pelos princípios centrais do processo de paz", disse ele.
A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), grupo rival do Hamas e responsável por comandar a Cisjordânia e a Autoridade Palestina, convocou uma greve geral para esta terça em "homenagem aos mártires" que morreram nesta segunda.
Embora Jerusalém seja oficialmente a capital de Israel, a maior parte da comunidade internacional mantém suas embaixadas em Tel Aviv e defende que o futuro da cidade deve fazer parte das negociações de paz entre israelenses e palestinos.
O presidente americano Donald Trump, porém, rompeu com essa tradição e anunciou em dezembro que faria a mudança da embaixada para Jerusalém, decisão que foi alvo de críticas não só dos líderes palestinos, mas também de diversos aliados europeus e da Rússia, para quem a transferência pode intensificar a violência na região.
O Congresso dos EUA aprovou uma lei em 1995 que previa o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a transferência da embaixada, com prazo final em maio de 1999; no entanto, o texto permitia o adiamento da transferência por seis meses, e todos os presidentes desde então vinham adiando a mudança a cada meio ano. Em dezembro do ano passado, porém, Trump reconheceu a cidade como capital de Israel.
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