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Porto Alegre, segunda-feira, 14 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Geral

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Educação

Notícia da edição impressa de 15/05/2018. Alterada em 14/05 às 20h51min

Consulta pública começa a moldar novos currículos no Rio Grande do Sul

Versão final do documento deve ser fechada no mês de outubro

Versão final do documento deve ser fechada no mês de outubro


/ANTONIO PAZ/ARQUIVO/JC
Igor Natusch
A partir de 2019, as mudanças trazidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) devem começar a ser sentidas nas escolas gaúchas e brasileiras. No ano passado, foram aprovadas as mudanças para Educação Infantil e Ensino Fundamental, e as alterações referentes ao Ensino Médio estão sendo analisadas desde abril pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). A implementação das mudanças, que estabelecem uma nova lógica curricular baseada em conhecimentos e habilidades essenciais, é alvo de uma consulta pública a professores e profissionais de ensino, promovida pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc).
Pela estrutura da BNCC, os estados têm autonomia para construção de currículos, em regime de colaboração com os municípios. Até o próximo dia 31, os interessados podem se cadastrar e contribuir na sua área de conhecimento e em seu componente curricular, acrescentando habilidades dentro de particularidades de sua região. A iniciativa vem sendo conduzida em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e com o Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe-RS).
Sônia Rosa, diretora pedagógica da Secretaria Estadual de Educação, explica que as contribuições são uma etapa na construção do chamado Referencial Curricular Gaúcho, que guiará a implementação da BNCC no Estado. Ela acentua que o documento não tem o mesmo papel de um currículo propriamente dito. "Isso é algo que estamos sempre dizendo. O currículo vivo é o que vai se dar no contexto da própria escola, considerando os fenômenos sociais, culturais, econômicos etc daquela comunidade. Porém, esse currículo precisará estar atrelado ao Referencial Curricular aprovado pelo Conselho Estadual de Educação", explica.
Após a sistematização das contribuições, está prevista para junho a realização de dez audiências públicas, avaliando se as sugestões foram adequadamente contempladas e sugerindo alterações. Após esses encontros, será fechada uma versão final do termo referencial. Para outubro, está prevista a realização, em Porto Alegre, da Conferência Estadual de Educação, com delegados oriundos das audiências públicas, momento em que será feita a validação do documento.
Pelo formato proposto na BNCC, os estudantes terão uma formação comum até o final do Ensino Fundamental, voltada para a aquisição, por parte do aluno, de competências relacionadas a tópicos como pensamento crítico, uso de tecnologias e argumentação, entre outros. Ao chegar no Ensino Médio, o estudante poderá, em paralelo ao currículo obrigatório, optar por itinerários de aprendizado, divididos por áreas. Ainda há indefinição sobre como será essa oferta complementar, já que as escolas não estarão obrigadas a oferecer todos os itinerários e está a critério dos estados definir a partir de qual ponto o aluno deverá fazer sua escolha.
A partir de 2019, além de dar início à implementação da BNCC, a Seduc estará diante de outros desafios, em especial os que envolvem avaliação dos currículos e mecanismos de formação continuada para professores. "Haverá um deslocamento da lógica. Geralmente, as avaliações eram pautadas pelas avaliações externas, como a Prova Brasil e o Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), e agora essa avaliação terá que se adequar ao que foi construído pelas coletividades locais. Acho que esse é um grande ganho pedagógico", diz. A plataforma para contribuições pode ser acessada em http://curriculo.educacao.rs.gov.br/.

Profissionais de ensino debatem mudanças na formação continuada de professores

Direitos precisam ser o norte da BNCC, diz Jana Barros

Direitos precisam ser o norte da BNCC, diz Jana Barros


SERJÃO CARVALHO/DIVULGAÇÃO/JC
A adoção da BNCC vai exigir uma série de mudanças na formação de professores em todo o País. Para tentar construir uma visão conjunta para uma capacitação contínua dos docentes, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) instaurou um grupo de trabalho, reunindo 27 técnicos das secretarias dos estados brasileiros e do Distrito Federal, mais cinco membros da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Alguns resultados dessas discussões foram apresentados no começo de maio, durante evento promovido pelo Itaú Social e pelo Instituto Ayrton Senna, em São Paulo (SP).
Integrante da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, Wesley Neves explica que uma das principais questões levantadas é a adoção, em âmbito federal, de políticas públicas para a formação de professores. "Muitas vezes o estado investe (em formação), o professor faz mestrado e doutorado e vai embora em seguida, porque encontra possibilidades melhores fora da esfera pública. O plano de carreira tem que fazer com que o professor enxergue a si mesmo como parte das políticas públicas de ensino", acentua. Entregue ao Ministério da Educação, o documento vai constar no guia de implementação da nova base comum.
Vários educadores enxergam a BNCC como um mudança de potencial positivo, mas alertam que a coordenação de esforços é fundamental para que o ensino brasileiro avance de fato. Elba Siqueira, professora ligada à Fundação Carlos Chagas, argumenta que as diferentes tentativas de construir programas continuados de educação e formação têm, historicamente, o mau hábito de "jogar fora" as experiências anteriores e recomeçar do zero. "Não temos memória. Vários estados brasileiros têm experiências excelentes, produziram materiais preciosíssimos. Mas chega uma outra gestão e ignora muita coisa boa que já foi feita. Não podemos insistir nos mesmos erros", defende.
Na visão da educadora, a BNCC acaba definindo aspectos relacionados ao ritmo de aprendizagem "de modo totalmente externo", o que pode ser um complicador para a eficácia da iniciativa. "É positiva a proposta de articulação junto a estados e municípios, mas esperamos que eles não sejam meros implementadores, que esse regime de colaboração ocorra em um patamar mais igualitário. Há apostas feitas na BNCC que precisam ser testadas na prática, nas condições que efetivamente existem nas escolas estaduais e municipais."
Por sua vez, Jana Barros, formadora de professores ligada ao Instituto Chapada (BA), acentua que formar docentes capazes de implementar a BNCC "não é simples, e não deve ser tratado como se fosse algo simples". Para ela, a garantia de direitos precisa ser o norte de qualquer estratégia nesse sentido. "Durante muitos anos, negociamos o inegociável em educação. Muitas escolas não têm biblioteca, quadra de esportes, conexão com a internet. Se começarmos a negociar essa implementação, em nome de uma suposta autonomia das instituições de ensino, como vamos garantir direitos e que critérios teremos para avaliar se estamos qualificando o ensino?", questiona.
 
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