Entrevista com Taline Schneider, criadora da plataforma Pais Amigos, que aproxima pessoas que querem ter filhos juntas (Tinder de aspirantes a pais). Taline foi selecionada para receber aceleração em São Paulo neste semestre Foto: MARCELO G. RIBEIRO/JC

Militante cria em Porto Alegre plataforma que conecta pessoas para terem filhos

Funcionalidade é parecida com o Tinder. Quando dá match, parte para a reprodução

Com o crescimento do número de divórcios, muitas crianças viram instrumento de disputa entre casais com corações partidos. Para oferecer uma alternativa a pessoas que querem ter filhos – e não necessariamente um marido ou uma esposa -, a jornalista Taline Schneider, 36 anos, nascida em Três Passos, no Rio Grande do Sul, criou a plataforma Pais Amigos.
A opção não tem nada a ver com produção independente, usada por mulheres que não conhecem os donos dos espermas. O projeto de Taline é baseado no conceito da coparentalidade, ou seja, quando mais de um indivíduo quer assumir o compromisso da criação.
Há três maneiras dos usuários da Pais Amigos executarem a reprodução: através de sexo, inseminação caseira ou em clínicas (para casos em que a dupla tem união estável). Parcerias para adoção também entram no pacote.
Taline, que já foi em programas de TV falar sobre sua startup, diz que a empresa segue as normas brasileiras do ramo. “Somos a única plataforma de coparentalidade do mundo que não aceita doação de esperma e barriga de aluguel”, informa.
Atualmente, há 1.750 pessoas cadastradas, sendo 100 pagantes. Os usuários entram de graça, com 200 créditos para enviar solicitações de amizade e outras ações. Ao término desses, podem comprar mais 400 créditos, que custam R$ 10,00, ou 1 mil, por R$ 20,00. Ainda é possível optar pela mensalidade, de R$ 29,90. “Nosso crescimento mensal é em torno de 14%, em número de usuários. O tempo médio de navegação na plataforma é de 10 minutos”, mensura.
MARCELO G. RIBEIRO/JC
Recentemente, Taline foi selecionada como a única gaúcha para receber aceleração da Rede Mulher Empreendedora, de São Paulo – o que a fez pedir licença do emprego na Emater. Nos próximos seis meses, focará 100% no projeto próprio.
Para se sustentar, colocou o apartamento à venda e está em busca de investidores. “Existe público, a startup está validada. Agora, precisamos transformar os 100 pagantes em 1 mil, 10 mil, 20 mil”, expõe. A empreendedora diz que a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) também encontra na Pais Amigos a realização de seus sonhos.
A empreitada surgiu de uma experiência pessoal de Taline. Após um casamento fracassado, em 2014, ela enviou um anúncio a um jornal de Porto Alegre em busca de alguém disposto a fazer um filho com ela. Como nunca viu o texto publicado nos classificados, criou uma fanpage no Facebook e, posteriormente, um grupo fechado. Daquele ano até agora, 30 bebês nasceram a partir da iniciativa.
Taline ainda não ficou grávida, mas também usa a ferramenta. Por enquanto, considera que a Pais Amigos seja seu filho. E, após os 40 anos, mesmo que já tenha vivido a maternidade biológica, quer adotar uma criança. “É uma ferramenta de desconstrução de preconceitos e inclusiva. Milito pelo início de uma família baseada em afeto, respeito e diálogo”, destaca.
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Comentários ( 2 )
  1. Jnia Cordeiro

    Construir uma família baseada no afeto, no respeito e na dignidade no fácil, mas possível e ainda acho a forma tradicional mais adequada pelo menos para se acolher uma criança que chega ao mundo.

  2. Claudia Lima

    Parabéns, a ideia realmente muito boa

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