Carla Silva (centro) inclui as mulheres na prática do boxe Carla Silva (centro) inclui as mulheres na prática do boxe Foto: /MARCO QUINTANA/JC

Negócios fitness tentam escapar das modinhas ao focar em diferentes públicos

Descubra o que estes empreendedores fizeram para incluir pessoas além dos padrões estéticos

O boxe é um esporte popularmente conhecido pelo confronto de golpes que os atletas trocam entre si no ringue. Mesmo com esta característica, traz diversos benefícios a seus praticantes e é uma atividade física ativa, que pode vir a ser bastante divertida. Ciente disso, o público feminino abraçou o esporte, não só nas categorias profissionais. Carla Silva, 40 anos, proprietária do centro de treinamento que leva seu nome, criou o espaço exclusivamente para que mulheres pratiquem e aprendam a modalidade, em Esteio. O local fica na avenida Senador Salgado Filho, nº 543, no Centro.
A decisão surgiu da percepção de que muitas das alunas não se sentiam confortáveis em espaços mistos, mesmo com turmas exclusivas para mulheres. "Eu perdia muitas alunas quando o público era misto, às vezes, as meninas não se sentiam à vontade", conta. Assim, em abril de 2014, Carla inaugurou o negócio próprio. O investimento na primeira compra de equipamentos foi de R$ 5 mil.
Antes de virar dona do seu próprio ringue, Carla trabalhava em academias. O primeiro contato com o esporte foi em Canoas, há 15 anos. E foi amor ao primeiro combate. "Quando eu entrei para o boxe eu me apaixonei. Vi que dava muito resultado na parte de emagrecimento", lembra.
Encantada pelos benefícios que surgem através da prática, ela decidiu se aprimorar. "Fui a São Paulo para me inteirar, passei uns dias na seleção brasileira (de Boxe) para estudar e ter esse suporte para passar para as atletas. E continuo sempre estudando", garante.
"Mesmo tendo formação em Educação Física é necessário ter os cursos da federação para ter os alvarás e poder colocar os atletas para lutar", explica ela, que também é técnica do esporte pela Federação Gaúcha de Boxe.
Atualmente, o espaço recebe cerca de oitenta alunas, divididas em oito turmas. Carla conta que o público do centro de treinamento é variado, com meninas a partir dos nove anos a senhoras de mais idade.
Para levar o esporte a mais pessoas ainda, a empreendedora possui uma turma para meninas a partir de nove anos que recebe aulas gratuitamente. Ela atribui a atitude ao gosto que tem pelo esporte. "É um trabalho de coração mesmo, que a gente faz por amor", ressalta.
Mesmo com exemplos de alunas que perderam 30 kg de sobrepeso, Carla afirma que o maior resultado é perceptível na qualidade de vida das praticantes.
"Elas entram atrás de emagrecimento, mas a maior recompensa é ver como elas ficam bem, como trabalham melhor e ficam menos estressadas", pontua. Há relatos de pessoas que diminuem o uso de antidepressivos ou, até mesmo, interrompem medicações psiquiátricas, pela qualidade de vida que o boxe traz. "Aqui elas largam tudo no saco de pancadas", brinca.

Clube aposta em fazer os idosos suarem a camisa

Rafael é proprietário do VivaClub, espaço voltado para fazer a terceira idade se mover Rafael é proprietário do VivaClub, espaço voltado para fazer a terceira idade se mover Foto: /MARCELO G. RIBEIRO/JC
Atividades físicas garantem, além da qualidade física e mental, melhora no âmbito social, aspectos importantes para qualquer momento da vida. Muito diferente da estética predominante nas academias de musculação, a terceira idade também tem vez quando o assunto é queimar calorias.
Pensando nisso o educador físico Rafael Soares, 42 anos, e a administradora Daiane Goetz, 35, criaram o VivaClub Maturidade e Lazer, espaço direcionado a proporcionar a prática de atividades físicas para idosos. Com cerca de 200 alunos, o clube fica na rua Visconde do Herval, nº 604, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre.
A ideia surgiu da tendência de envelhecimento da população e da carência de serviços do segmento para esse público. O estalo veio quando Rafael percebeu que a maioria dos estabelecimentos abriam agenda para a terceira idade apenas uma vez por semana. "Por que não criar um espaço que tenham atividades todos os dias?", se perguntaram.
O casal se divide na gestão, Daiane fica com a parte administrativa e Rafael fica encarregado do operacional. Além disso, contam com uma equipe de oito pessoas, formada por profissionais da fisioterapia, dança e ritmos, artes manuais e psicologia.
Eles trabalham com a máxima de que os idosos podem "fazer o máximo das atividades da vida diária com maior independência". Para tal, trabalham exercícios de força muscular, equilíbrio, coordenação motora, ritmo, atenção, lateralidade e reflexo.
Rafael acredita que, acima da busca pela saúde do corpo, os alunos procuram interação social. Por isso, criou um grupo de convívio que realiza caminhadas, jantares e excursões a cinemas e a teatros. "É o lugar onde eles se encontram. A maioria chega 40 minutos antes da sua aula para encontrar as colegas e conversar", relata.
"Muitas vezes, uma aula de pilates é a desculpa que têm para sair de casa", reflete o profissional.
No entanto, o empreendedor lamenta que esse público ainda seja carente de produtos e serviços especializados e almeja estar "adiantado" para quando o mercado se voltar a atendê-lo. Enquanto esta chave gira, o objetivo do VivaClub é se consolidar como marca e se tornar referência no assunto. "Quando o pessoal começar a investir nesse nicho, já teremos 10 anos", calcula.
 

A barra de desbravar um novo mercado

Sócios apostam no crossfit como prática democrática Sócios apostam no crossfit como prática democrática Foto: /FREDY VIEIRA/JC
Vista como uma modalidade de musculação árdua, o crossfit caiu no gosto dos frequentadores de academias, trabalhando a coletividade e dinamismo. Nessa onda, Julia Dandolini Tiscoski, 34 anos, nutricionista em formação, ao lado dos sócios João Lades, 33, formado em Educação Física, e Diego Felipe Gevaerd, 29, estudante do mesmo curso, criaram o Crossfit Taura.
No entanto, o desafio deles é mostrar que todo mundo pode praticar.
Apesar da popularização, os empreendedores acreditam que a visão a respeito da modalidade ainda é equivocada. Segundo Diego, o crossfit "é muito mais do que aquele corpinho bonito e um monte de peso caindo no chão", pondera. Ele constata isso através de relatos de pessoas que, com a prática, saíram de estados de depressão profunda. "O objetivo do crossfit é a melhora da saúde", reforça João. Contra o senso comum, ele calcula que o público dos corpos musculosos seja inferior a 5% na modalidade.
O crossfit, segundo eles, agrega públicos de qualquer porte físico, incluindo pessoas com más formações congênitas e até crianças a partir de três anos. "Para os pequenos não passa de uma brincadeira, mas a aula segue uma programação pedagógica", pontua Diego, ao explicar que os exercícios são diferentes para as crianças, com aulas de 45 minutos. "Eles imitam um urso para fazer os movimentos iniciais da ginástica", ilustra João.
Em 2014, quando era instrutor de musculação, João teve o primeiro contato com o crossfit. Na época, viajou à São Paulo para agregar mais conhecimentos sobre a prática. Dois anos depois, proporcionou a experiência à Júlia em suas aulas. Na mesma academia, Diego instruía também e compartilhava dos mesmos interesses: o gosto pelo crossfit e o desejo de empreender. "Nos reunimos e realizamos um sonho que era de todos", lembra João. O investimento foi de R$ 400 mil.
Os sócios constataram que o mercado era promissor devido a um estudo do American College of Sports Medicine (Colégio Americano de Medicina do Esporte) que apresenta anualmente as 20 tendências do ano seguinte para atividades físicas. "Desde que comecei a reparar, dessa lista, sempre cerca de 15 tinham a ver com esta modalidade", lembra João.
Um ano se passou entre a decisão de montar o negócio até a abertura das portas. O local escolhido fica na avenida Benjamin Constant, nº 734, no bairro São João, na Capital.
Hoje, o espaço fornece aos cerca de 300 alunos, também, consultas de nutricionista, quiropraxia, fisioterapia dermatofuncional e acupuntura. Possui, também, parceria com farmácia de manipulação.
Os empreendedores contam que no início da popularização do crossfit, o público apresentou rejeição. "Todo mercado novo gera resistência. As pessoas que não aderem às tendências têm mania de apontar o lado falho da coisa. Nesse caso, as lesões", analisa Diego, que enxerga uma abordagem diferente em relação à prática atualmente. Para João, a aceitação veio através do conhecimento de causa. "Hoje, se fala mais dos benefícios que o crossfit traz", compara.
 
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