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Porto Alegre, quarta-feira, 16 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Juro Básico

Notícia da edição impressa de 17/05/2018. Alterada em 16/05 às 21h34min

Copom surpreende e mantém Selic em 6,50%

Após a recente reversão do cenário externo, com a valorização do dólar em relação a diversas moedas de países emergentes - como o Brasil -, os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiram, por unanimidade, manter a Selic (a taxa básica de juros) em 6,50% ao ano. A decisão, anunciada nesta noite de quarta-feira, pela instituição, interrompeu a trajetória de 12 cortes consecutivos na taxa Selic que a levou ao nível mais baixo da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996.
O anúncio contrariou as expectativas de quase todos os economistas do mercado financeiro. De um total de 55 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 53 esperavam um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 6,25% ao ano. Apenas duas casas aguardavam pela manutenção da Selic em 6,50% ao ano. Entre 38 economistas e casas ouvidos pela agência de notícias Bloomberg, apenas um - John Welch, do HSBC - apostava na manutenção. Para 37, o Banco Central (BC) cortaria em 0,25 ponto percentual a taxa básica, para 6,25% ao ano.
Na reunião anterior do Copom, o colegiado havia sinalizado um novo corte moderado na Selic para este encontro. No comunicado que acompanhou a decisão de hoje, no entanto, a instituição afirmou que a evolução do cenário básico e, principalmente, do balanço de riscos tornou desnecessária uma flexibilização monetária adicional para mitigar o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas.
"Para as próximas reuniões, o Comitê vê como adequada a manutenção da taxa de juros no patamar corrente. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação", acrescentou o Copom.
No documento, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário de mercado - que utiliza expectativas para câmbio e juros do mercado financeiro, compiladas no relatório Focus -, o BC alterou sua projeção para o IPCA em 2018 de 3,8% para 3,6%. No caso de 2019, a expectativa foi de 4,1% para 3,9%. As projeções anteriores constaram no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de março. Esse cenário considera a Selic em 6,25% ao fim de 2018 e em 8,0% ao fim de 2019, com câmbio em US$ 3,40 no fim ambos os anos.
Dessa vez, o comunicado do Copom incluiu um novo cenário, com juros constantes em 6,50% e câmbio constante a R$ 3,60 (arredondamento da média dos últimos cinco dias úteis até sexta-feira passada). Nesse cenário as projeções para o IPCA situam-se em torno de 4,0% tanto para 2018 como para 2019.
JC

Fiergs e CNI citam moeda norte-americana na decisão do BC

O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Gilberto Petry, afirma que a redução da taxa de juros não deveria ter sido interrompida. "Caso o ciclo de queda dos juros tivesse sido mais longo, contribuiria muito na recuperação da economia. Entendemos, porém, que a taxa é adequada para a situação que se apresenta com a alta do dólar", disse Petry, ao analisar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta quarta-feira.
Mesmo que os indicadores de inflação e de atividade estejam abaixo do esperado, o cenário externo cada vez mais desfavorável e a proximidade da indefinida corrida eleitoral no País justificam uma maior cautela do governo, completa Petry. É provável, completa, que a economia continue absorvendo estímulos monetários nos próximos meses, mesmo que a meta da taxa Selic permaneça inalterada.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter em 6,5% ao ano a taxa de juros Selic "reflete provavelmente as preocupações do Banco Central (BC) com os impactos da recente desvalorização do real frente ao dólar". Para a indústria, no entanto, a inflação baixa e o ritmo muito lento de recuperação da economia permitiriam um novo corte na taxa Selic.
A entidade destaca, em nota divulgada nesta quarta-feira, que "embora os juros atuais sejam os mais baixos desde 1986, os custos dos financiamentos continuam elevados por causa do spread bancário". "Os custos elevados dos empréstimos desestimulam os investimentos das empresas e o consumo das famílias, comprometendo a recuperação da economia", afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.
Andrade afirma ainda que o crescimento sustentado depende do equilíbrio das contas públicas. "É preciso persistir nas medidas de ajuste fiscal que assegurem a estabilidade econômica. Isso permitirá a manutenção dos juros baixos por um longo período", afirma na nota o presidente da CNI.
Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) avaliou que a medida não foi acertada, já que a inflação continua em queda e as projeções estão abaixo do centro da meta estabelecida. "Além disso, os dados recentes indicam uma recuperação econômica mais lenta do que o esperado, o que tem resultado em sucessivas revisões para baixo das expectativas de crescimento do PIB."
Em tom mais contundente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), afirmou em comunicado que o "Banco Central joga contra o Brasil ao manter a Selic em 6,5%." De acordo com a entidade, a manutenção da taxa vai retardar a redução do custo do crédito. "Corremos o risco de ver morrer a retomada da economia, num momento em que o Brasil tenta sair de sua pior crise. O crescimento ainda é muito frágil - e só vai ganhar força se ficarem em nível razoável os juros para quem quer investir e consumir", afirma a Fiesp, em nota.
A opção do Copom de manter a taxa Selic no atual patamar é apostar no fraco desempenho da economia, disse a Força Sindical em nota. "A política de redução de juros dos últimos meses, a 'conta-gotas', praticamente não favoreceu o trabalhador brasileiro. Continua, isto sim, a favorecer banqueiros e especuladores, que preferem aplicar no mercado financeiro em detrimento da produção."
A nota ressalta que "mais de 13 milhões de trabalhadores brasileiros continuam desempregados", lembrando que o spread bancário continua alto e a taxa de juros do cartão chega ao absurdo de 400% ao ano.
"Vale destacar que juros altos sangram o País e inviabilizam o desenvolvimento. O mercado de trabalho tem diminuído o ímpeto de geração de empregos, ao mesmo tempo em que a indústria apresenta desempenho pífio nos últimos meses."

Poupança bate maioria dos fundos com manutenção da taxa básica

A manutenção da taxa básica de juros em 6,5% ao ano deixou a poupança mais atrativa que a maioria dos fundos de investimento de renda fixa, em especial aqueles com taxa de administração salgada, de acordo com simulações feitas pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). A Anefac estima o rendimento mensal da poupança em 0,37% ao mês com a Selic a 6,5% ao ano.
Pelas contas da associação, fundos com taxa de até 0,5% ao ano ganham da poupança, independentemente do prazo de resgate considerado. A caderneta empata com fundos com taxa de 1% ao ano em caso de resgate em até seis meses e perde se o prazo for superior a esse período.
A poupança ganha de fundos com taxa de administração de 1,5% se o resgate for feito em até um ano, empata se o saque ocorrer entre um e dois anos. Acima disso, a caderneta perde.
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