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Porto Alegre, segunda-feira, 14 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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Teatro

Notícia da edição impressa de 15/05/2018. Alterada em 14/05 às 17h20min

Gabriel Villela traz a Porto Alegre nova versão de clássico Boca de Ouro

Montagem chega à capital gaúcha no próximo fim de semana, em três sessões no Theatro São Pedro

Montagem chega à capital gaúcha no próximo fim de semana, em três sessões no Theatro São Pedro


JOÃO CALDAS/DIVULGAÇÃO/JC
Luiza Fritzen
Escrita por Nelson Rodrigues em 1959, Boca de Ouro é uma tragédia sobre a história de um lendário bicheiro carioca que dá título ao espetáculo. Mais de 50 anos depois, Gabriel Villela, que já reproduziu outras duas obras do autor (A falecida, em 1994, e Vestido de noiva, em 2009), faz sua versão da montagem, que chega a Porto Alegre neste fim de semana, em três sessões, sexta-feira (18) e sábado (19), às 21h, e domingo (20), às 20h, no Theatro São Pedro (praça Marechal Deodoro, s/nº). Os ingressos custam entre R$ 25,00 e R$ 130,00.
A versão de Villela, responsável também pelos figurinos e pela cenografia, utiliza da simbologia do candomblé e das máscaras astecas para contar a história de Boca de Ouro inserido no subúrbio carioca. Na trama, o lendário bicheiro é assim chamado porque trocou todos os dentes por uma dentadura de ouro. Quando é assassinado, a história de Boca instiga uma repórter, que começa a vasculhar seu passado, colhendo depoimentos de pessoas que o conheciam.
Assim, entram na história personagens como dona Guigui, a volúvel ex-amante do bicheiro, responsável por trazer a público diferentes versões do contraventor a partir de seus estados emocionais. Dividida em três atos, a montagem passa pelo olhar da narradora, uma mulher que ora se posiciona como uma mulher magoada após o abandono, em outra se prostra apaixonada ao descobrir sobre a morte de seu antigo amor, e, por fim, revela a versão homicida de Boca.
A peça, que explora amplos aspectos psicológicos, retrata a vida e a existência do personagem-título apenas pelos olhos dos outros, o que proporciona versões contraditórias e exageradas sobre Boca. Nesse sentido, a musicalidade do espetáculo funciona de forma a dialogar com cada um dos três momentos da vida do bicheiro.
Escolhido para o papel, que seria de Eriberto Leão, Malvino Salvador conta que, embora já tivesse contato com outras obras de Nelson Rodrigues, não havia lido nem assistido ao filme sobre Boca de Ouro. No entanto, trabalhar com seu texto era um desejo antigo. "Nunca tinha feito nada do Nelson e tinha muita vontade de entrar no universo rodrigueano, ainda mais ao lado do Villela, que é um dos grandes diretores e encenadores do cenário teatral brasileiro", conta.
Para Salvador, atuar na montagem é um meio de se descobrir como ator, de trabalhar uma linguagem ainda não experimentada por ele ao longo de sua carreira. "Foi uma oportunidade única de trabalhar as três versões de um personagem fazendo uma composição diferenciada para cada uma delas e, ao mesmo tempo, criando uma conexão entre elas, pois são o mesmo personagem", afirma.
Sobre trabalhar ao lado de Gabriel Villela, que conquistou o prêmio Shell de melhor diretor pela peça, Salvador afirma que sua direção possui características peculiares, pois "se apossa de várias referências e faz um teatro dele, único, partindo do teatro épico, no qual o que é mais importante é contar história e não se envolver com o personagem, passando pelo barroco e teatro de rua até o teatro oriental". O ator ressalta também o fato de Villela se apropriar de detalhes e citações do texto para criar fábulas, "o que foi a grande diferença de composição das nuances de cada personagem".
Tratando de temas que são ainda atuais, como a violência no Brasil e a espetacularização da mídia, para Malvino Salvador, a peça leva mensagens positivas ao público. A primeira delas é uma reflexão acerca da manipulação de notícias para produzir conteúdo que atraia determinados leitores. "Nelson Rodrigues já questionava essa prática jornalística na época, então imagina hoje, nesse cenário político, em que na internet se consegue disseminar uma informação falsa que pode destruir a vida de pessoas e influenciar negativamente outras", pontua. Por isso, é importante "estar atento à origem da mensagem, tentar ao máximo ouvir os outros pontos de vista e estar aberto a ouvir contrapontos". A segunda mensagem da peça, ainda segundo o ator, é que o crime não compensa.
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