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Porto Alegre, terça-feira, 13 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 12/03/2018. Alterada em 11/03 às 20h59min

A ética seletiva: valores em decadência

Luís Felipe Maldaner
Vivemos um momento grave na história brasileira. A construção do ideário nacional nos últimos tempos tem produzido um fenômeno único no mundo que é a ética seletiva. Aristóteles associava a ética à virtude, isto é, ações humanas voltadas para o bem, especialmente o bem-comum. Nesse sentido, parece inadequado que as mesmas ações praticadas por algumas pessoas são passíveis de condenação e, se praticadas por outras, são permitidas. Essa ética seletiva é o que está ocorrendo no Brasil. A lei parece ter mais aplicabilidade para uns do que para outros.
Com isso também os valores da sociedade vão se corroendo, porque até aquele cidadão honesto começa a refletir se vale à pena continuar assim nesse País onde prevalece a vantagem do mais "esperto", e onde grassa a impunidade. Aliás, até a impunidade é seletiva no Brasil. Que herança vamos deixar para as gerações futuras. Uma nação sem os valores básicos de seriedade, de caráter e de honestidade está fadada ao fracasso. Está ficando muito difícil explicar aos nossos filhos o porquê de que para uns há permissividade em roubar e para outros não, quando para ninguém deveria ser permitido sob hipótese alguma.
É certo que uma sociedade avança no seu processo civilizatório, quanto mais puder desenvolver e sedimentar conceitos únicos, que permeiem todas as relações sociais em todas as esferas, tanto públicas quanto privadas. Assim, o que dizer de fatos que temos presenciado nos últimos tempos, tais como malas de dinheiro sendo carregadas ou estocadas, encontros furtivos na calada da noite, em subsolo de garagem... Delitos de mesma natureza, mas com tratamento tão diverso, tanto pelos órgãos de investigação, quanto pelos julgadores, e também pela mídia. Para delitos praticados por determinadas pessoas, há manifestações de rua, para mesmos delitos, ou até piores, praticados por outras, silêncio total. Não há panelaços, não há manifestações de rua, a celeridade de investigação e julgamento é completamente diferente. Para uns há pressa, para outros a benesse dos famosos prazos legais... O mais grave de tudo isso é que no Brasil está se criando um novo e perigoso paradigma, de que a lei não é igual para todos.
Professor
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Comentários
THAIS RUCKER 13/03/2018 08h51min
Excelente! Quanta lucidez.