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Porto Alegre, quinta-feira, 08 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 09/03/2018. Alterada em 08/03 às 21h19min

A conturbada judicialização da política brasileira

Com muitos e recorrentes confrontos entre os governos federal, estadual, municipal e a oposição, eis que a política não consegue encontrar um rumo para alavancar a economia. Continuam os debates e o antagonismo radical, com as posições contrárias sendo hostilizadas, incluindo-se aí as decisões da Justiça, onde até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se contestam em público.
Enquanto há uma angústia de milhões de desempregados, não se consegue apontar um rumo certo. E o antagonismo sistemático tem tirado os debates dos Legislativos, que são levados para os Tribunais Superiores. Porém, se os brasileiros acreditarem em algumas propostas, com certeza o ambiente ficará, pelo menos, mais tranquilo.
O triste é que o desemprego continua altíssimo, com maior incidência da criminalidade, uma consequência considerada por especialistas em segurança mais do que previsível, tal a quantidade de pessoas desocupadas. Não justifica enveredar pela senda do crime por estar sem trabalho formal, mas pode explicar em parte a opção quando ela invade a mente de alguns menos preparados e educados para as adversidades da vida.
E, hoje, temos o que alguns chamam de pós-modernidade. Trata-se de adjetivo que começou a circular há algum tempo e que é relacionado a circunstâncias nas quais as notícias, os fatos, acabam tendo menos influência junto à opinião pública, na formação dessa mesma opinião, do que os muitos apelos para a emoção, os sentimentos e as crenças das pessoas. Milhares, talvez milhões de brasileiros hoje estão engajados na ideologia política que professam, não importando contrapontos ou o que, realmente, está ocorrendo.
No caso da política nacional, a pós-modernidade exemplifica o debate, geralmente estéril, na busca de soluções aos problemas do País, sendo o primeiro deles a retomada da economia em um ritmo mais veloz do que o atual, após a estagnação recente. Por isso, a verdade tem perdido importância ou sido totalmente relativizada no debate político, agora ampliado pela proximidade do pleito deste ano.
Os fatos têm sido menos valorizados - quando o são - do que as versões. E estas têm circulado nas hoje populares redes sociais, nas quais tudo, mas tudo mesmo, é divulgado e, muitas vezes, vale muito mais do que a verdade. O fato é que as redes sociais criaram uma nova categoria, ou seja, milhões de "especialistas de sofá", os quais opinam sobre tudo o que acontece e dão vazão à sua imaginação como jamais antes se viu na história não apenas do Brasil, mas da humanidade. E isso é o que tem ocorrido no embate político, dividido entre os que estão na oposição e os que comandam o País. Mesmo com a autêntica salada de siglas das dezenas de partidos, ninguém dá soluções plausíveis, mas apenas somam críticas e mais críticas aos problemas. É, então, a era da pós-verdade, em que todos opinam muito mais sobre versões. Temos que optar por um trabalho de resultados, com inovação, mas sem renegar a política. Apelos por regimes militares e outras exceções são um erro. São versões fantasiosas que fogem da realidade nacional e do que precisamos.
Então, que o Congresso, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais se debrucem sobre as dificuldades, estudem soluções e tomem decisões baseadas nas necessidades do povo. Basta de versões e antagonismos estéreis. Ou continuaremos a perder tempo. E o Brasil, o Rio Grande do Sul e Porto Alegre têm pressa para sair da estagnação.
 
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