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Porto Alegre, terça-feira, 06 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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EDITORIAL

Notícia da edição impressa de 07/03/2018. Alterada em 06/03 às 21h19min

A corrupção que prejudica as exportações brasileiras

Lastimavelmente, o escândalo que prejudicou as exportações de carne do Brasil para vários países no início de 2017 volta a se repetir. Pelos informes da Polícia Federal (PF), em nova investigação na mais do que conhecida Operação Carne Fraca, a corrupção nos laudos de inspeção dos produtos enviados ao exterior, principalmente no setor de aves, continuou.
O mais triste é que se tratam de grandes empresas e marcas consagradas junto aos consumidores do País, provavelmente também aqueles do exterior, para onde nossos produtos são enviados regularmente em grandes quantidades, caso de Hong Kong.
Não por acaso, o saldo da balança comercial brasileira tem sido positivo graças, em boa parte, às vendas de carnes para quase todos os continentes. Em consequência, o festejado crescimento de pouco mais do que 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 foi atribuído ao agronegócio nacional.
Porém, outras denúncias e a União Europa (UE) já pediu esclarecimentos ao Brasil sobre as descobertas reveladas pela operação, que fez novas prisões relacionadas com o comércio de carnes. Bruxelas não descarta aplicar mais medidas restritivas contra os produtos nacionais, caso considere que seja necessário. Some-se a isso a pressão dos produtores rurais da França e Holanda, especialmente, contra qualquer tipo de acordo ou mais facilidades para a entrada do produto brasileiro no Velho Mundo.
O fato, mais um, é que a Polícia Federal realizou uma nova fase da Operação Carne Fraca, revelando que havia, na BRF, falsidade ideológica e possíveis problemas sanitários na venda dos produtos, com conhecimento dos dirigentes. Numa carta às autoridades brasileiras, a Europa quer esclarecimentos sobre a dimensão do novo escândalo. "A Comissão Europeia foi informada desse problema por meio da delegação da UE em Brasília", apontou Bruxelas, em comunicado enviado por meio eletrônico. "A delegação foi solicitada a questionar e obter das autoridades brasileiras todas as informações relacionadas a esse caso e que possam afetar a importação para a UE", colocaram. "Além disso, uma carta oficial pedindo informações detalhadas sobre as descobertas está sendo enviada às autoridades brasileiras", declarou Bruxelas.
Por enquanto, a Comissão Europeia indica que as certificações exigidas depois da primeira fase da Operação Carne Fraca continuam em vigor. Também estão mantidos os controles reforçados em todas as fronteiras da Europa para garantir "a segurança do produto importado para a UE". Mas Bruxelas deixa claro que "a Comissão poderia tomar medidas adicionais consideradas necessárias à luz das informações que recebamos. As atuais condições de importação de carne do Brasil apenas permitem a importação de um número limitado de estabelecimentos", informaram as autoridades. De fato, desde meados de 2017, a Europa praticamente fechou uma parte substancial de seu mercado diante do que considerou como uma incapacidade do governo brasileiro em dar garantias da qualidade do produto vendido.
Em junho de 2017, auditoria da União Europeia descobriu mais de 100 casos de contaminação da nossa carne. A auditoria, realizada em fazendas e frigoríficos nacionais, concluiu que o controle é insatisfatório e que, mesmo depois da Operação Carne Fraca, o governo não implementou o que havia prometido. Em uma carta direcionada ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, os europeus ainda indicaram que tal situação "joga sérias dúvidas sobre a credibilidade do sistema de controle e mina a confiança entre Bruxelas e as autoridades brasileiras". Enfim, isso é uma vergonha para o Brasil.
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