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Porto Alegre, domingo, 04 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 05/03/2018. Alterada em 04/03 às 19h24min

Revitalização do Cais Mauá começa a sair do papel

As obras de revitalização do Cais Mauá devem começar hoje. A primeira fase será entregue em dois anos, e compreende 11 armazéns - do A6, para o lado da Usina do Gasômetro, até o B3, próximo à rodoviária.
A segunda fase corresponde ao setor Docas, que prevê a construção de três torres comerciais com serviço de hotelaria, centro de convenções e estacionamento, além da recuperação da Praça Edgar Schneider. A última fase é a área do Gasômetro, que deve receber um centro comercial.
O custo estimado das obras é de R$ 500 milhões, sem investimento público. Serão 181 mil metros quadrados de área revitalizada, incluindo 3,2 mil metros de orla com ciclovia, 10 praças de lazer e 11 mil metros quadrados de área verde.
O porto da Capital, o Cais Mauá, começou a operar em 1913, com 146 metros de extensão. Os armazéns vieram desmontados da Europa. Em 1927, no governo de Borges de Medeiros, o cais já tinha 1.652 metros, com 10 armazéns e 22 guindastes. Todas as grandes mercadorias chegavam e saíam de Porto Alegre pelo então novíssimo cais. Isso perdurou por cerca de 60 anos.
Agora, o projeto de revitalização do Cais Mauá vai gerar 28,8 mil empregos diretos e indiretos. Também tributos municipais, estaduais e federais, que poderão chegar a R$ 216 milhões. O projeto é um sonho que demorou a se tornar realidade. Foi aguardado por 30 anos.
Ironicamente - pois há outras obras em Porto Alegre que ficaram no papel ou ainda estão paralisadas, com promessa de reativação -, a revitalização do Cais Mauá estava projetada para a Copa do Mundo de 2014.
E agora sai do papel através de uma Parceria Público-Privada (PPP), ou seja, uma área nobre e histórica da capital dos gaúchos será revitalizada sem dinheiro público.
A cidade, assim, fará jus ao seu nome, um porto alegre e com uso. Ainda que existam contestações ao modelo de negócios, com shopping, torres comerciais e milhares de vagas para estacionamento, o fato objetivo é que aquela área importante será devolvida à população, que dela poderá fazer uso.
E, cabe lembrar, a primeira fase será de restauração dos armazéns, o que é unanimidade. Uma vez reformados, serão utilizados para comércio e serviços, dando nova vida ao antigo porto da Capital.
O entorno do Cais Mauá também será beneficiado com os novos acessos que serão criados, dando movimento àquela região do Centro Histórico de Porto Alegre. A avenida Mauá, por exemplo, pode ganhar uma nova vida.
Quem conhece o terminal dos barcos catamarãs encanta-se com a facilidade de acesso e vê que esse meio de transporte já deu algum movimento local. Isso vai se multiplicar, inclusive à noite, espera-se.
Com a revitalização do Cais Mauá, não precisaremos mais voltar de Buenos Aires e do seu Puerto Madero encantados com tanta utilidade, iluminação, restaurantes, bares e até uma universidade funcionando no local. Nem suspirar pelos portos de Lisboa, Barcelona ou mesmo o de Belém do Pará, referências de revitalização no setor.
Além do Cais Mauá, avançam também as obras na orla. E Porto Alegre finalmente começa a se reconciliar com o Guaíba, uma riqueza natural pouco aproveitada. Que essa realidade comece a mudar com o novo Cais Mauá.
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