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Porto Alegre, quinta-feira, 08 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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conjuntura

Notícia da edição impressa de 08/03/2018. Alterada em 08/03 às 00h25min

População brasileira com idade para trabalhar vai parar de crescer

Cenário traçado pelo Banco Mundial forçará o Brasil a focar na juventude, que terá que ser mais produtiva

Cenário traçado pelo Banco Mundial forçará o Brasil a focar na juventude, que terá que ser mais produtiva


/FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC
O Brasil vive os últimos anos de uma vantagem populacional que se esgotará, segundo projeção do Banco Mundial, em aproximadamente três anos, em 2020. No futuro, não muito distante, a população em idade ativa (entre 15 e 64 anos) parará de crescer e, a partir daí, o número de idosos e crianças passará a subir. "O perfil demográfico do Brasil em breve começará a assemelhar-se ao de muitos países europeus, embora o país se encontre em nível muito inferior de desenvolvimento econômico."
A chamada taxa de dependência (proporção de crianças até 14 anos e idosos acima de 65 anos na população) parará de cair em 2020, ficando estável em 47% até 2024, quando passa a subir. Em 2030, as pessoas fora da idade habitual para trabalhar (crianças e idosos) serão mais numerosas do que os potenciais trabalhadores. No jargão técnico, o bônus produzido pela demografia favorável, com uma crescente população trabalhadora, ficará para trás.
A projeção é parte do relatório "Competências e empregos: uma agenda para a juventude", que o Banco Mundial apresentada ontem, em Brasília.
A previsão é alarmante porque o crescimento do Brasil, nas últimas duas décadas, se deu basicamente pela inserção de mais pessoas no mercado de trabalho. E quase nada sobre ganhos de eficiência (ou de produtividade) nas funções que estão desempenhando e na produção das empresas.
A produtividade do trabalho, segundo o Banco Mundial, respondeu só por 39% do aumento da renda per capita entre 1996 e 2014. "O restante decorreu de mudanças demográficas e do aumento da taxa de participação na força de trabalho", afirma o relatório.
"À medida que a contribuição do crescimento da força de trabalho como parcela da população diminui, o Brasil precisa aumentar a produtividade do trabalho para manter, ou quiçá aumentar, a taxa de crescimento do PIB per capita."
Segundo cálculos do Banco Mundial, o Brasil poderia crescer cerca de 4,5% ao ano de maneira sustentável se aumentasse a taxa de crescimento da produtividade para o nível anterior a essa baixa dos últimos 20 anos. Caso não consiga gerar mais eficiência, o potencial de expansão do PIB e da renda da população fica limitado.
O cenário é desafiador e, por isso, o banco sugeriu ao País focar sua estratégia na juventude. Afinal, os entrantes do mercado de trabalho terão que ser mais produtivos, uma vez que serão menos numerosos no futuro. O retrato, porém, dessa população é desalentador. Mais da metade (52%) dos jovens com idade entre 15 e 29 anos sofre com o que o banco classificou de desengajamento.
São jovens "nem-nem" (não estudam, nem trabalham), estão muito atrasados nos estudos, ou quando optam por um emprego, acabam em funções informais ou de baixa remuneração. Dessa maneira, estão sendo sentenciados à baixa produtividade. Segundo Rita Almeida, economista do Banco Mundial, melhorar a qualidade da educação é a chave para melhorar o engajamento desses jovens ao estudo e ao aperfeiçoamento técnico para o trabalho.
O relatório do Banco Mundial mostra que os prêmios salariais por maior educação estão caindo. Ou seja, estudar mais não está garantindo vantagens salariais tão relevantes quanto já foram no passado. "A escolaridade não está relacionada com produtividade no Brasil", disse Almeida.
O resultado do baixo estímulo ao estudo são números muito negativos para o Brasil, se comparados internacionalmente. Segundo o Banco Mundial, quatro em cada dez pessoas no país com mais de 25 anos concluíram o ensino médio. Nos países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a média é de seis em cada 10 pessoas. "Dessa maneira, o País não tem força adequada para alcançar a renda alta", disse.

Governo dos Estados Unidos admite exceções às tarifas de aço e alumínio

O governo dos Estados Unidos admitiu, ontem, que alguns países como Canadá e México podem ser excluídos das tarifas de importação sobre aço e alumínio, anunciadas na semana passada pelo presidente Donald Trump. "Há potenciais exclusões para o México e Canadá, e possivelmente outros países também, com base na segurança nacional", afirmou a secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders.
O Brasil, segundo maior exportador de aço para os EUA, seria um dos principais prejudicados com a alíquota de 25% sobre o aço importado, anunciada de surpresa por Trump na última quinta-feira. No caso do alumínio, a alíquota é de 10%. A secretária, porém, não mencionou se o Brasil estaria entre as exceções.
A expectativa é que a assinatura oficial da medida, com o detalhamento das tarifas, seja feita até o final desta semana - possivelmente hoje. "Será feita uma análise caso a caso, país por país", disse Sanders. O Brasil, assim como outros países, trabalha nos bastidores para tentar convencer os EUA a estabelecerem exceções para determinados produtos. A alíquota, na prática, inviabilizaria a exportação de aço brasileiro ao país norte-americano a preços competitivos.
Outros países responderam mais agressivamente, e ameaçaram retaliar produtos americanos caso as tarifas sejam confirmadas - caso da União Europeia, Canadá e México, alguns dos maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos.
A medida também não foi bem recebida por parte da própria indústria dos EUA, que depende do material importado para produzir. Os setores de construção, automotivo, metalúrgico e petrolífero seriam alguns dos mais prejudicados com o aumento de custos. Economistas estimam que a medida causaria a perda de quase 180 mil empregos pelo país.
Trump defende que as tarifas iriam gerar empregos no setor siderúrgico nacional e proteger a indústria americana, no melhor estilo "América em primeiro lugar", seu bordão de campanha.
O anúncio das tarifas enfrentou oposição na Casa Branca e no próprio Partido Republicano, que se opôs publicamente à medida e trabalha para estabelecer restrições. Nesta semana, o governo perdeu seu principal assessor econômico, o ex-presidente do banco Goldman Sachs Gary Cohn, que discordava das tarifas e anunciou sua saída nesta semana.
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