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Porto Alegre, quinta-feira, 08 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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dia internacional da mulher

Notícia da edição impressa de 08/03/2018. Alterada em 08/03 às 00h25min

Mulheres são a maioria com Ensino Superior

Brasileiras dedicam mais tempo que os homens a tarefas domésticas

Brasileiras dedicam mais tempo que os homens a tarefas domésticas


FREEPIK/FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC
Mesmo em número maior entre as pessoas com Ensino Superior completo, as mulheres ainda enfrentam desigualdade no mercado de trabalho em relação aos homens. Essa disparidade se manifesta em outras áreas, além do item educação. É o que comprova o estudo Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Tomando por base a população de 25 anos ou mais de idade com Ensino Superior completo em 2016, as mulheres somam 23,5%, e os homens, 20,7%. Quando se comparam os dados com homens e mulheres de cor preta ou parda, os percentuais são bastante inferiores: 7% entre os homens e 10,4% entre mulheres.
Em relação ao rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos e razão de rendimentos, por sexo, entre 2012 e 2016, as mulheres ganham, em média, 75% do que os homens ganham. As mulheres têm rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos no valor de R$ 1.764, enquanto os homens, R$ 2.306.
A economista Betina Fresneda, analista da Gerência de Indicadores Sociais do IBGE, explica que os resultados educacionais não se refletem necessariamente no mercado de trabalho. Segundo ela, as mulheres, por terem nível de instrução maior do que os homens, não deveriam ganhar o mesmo salário, em média, deles. "Deveriam estar ganhando mais, porque a principal variável que explica o salário é educação. Você não só não tem um salário médio por hora maior, como, na verdade, essa proporção é menor", avalia.
Conforme o estudo, o tempo dedicado aos cuidados de pessoas ou a afazeres domésticos é maior entre as mulheres (18,1 horas por semana) do que entre os homens (10,5 horas por semana). Na média do Brasil, são dedicadas por homens e mulheres 14,1 horas por semana a esse tipo de trabalho. "Por qualquer nível de desagregação que a gente faça, seja por regiões, como por raça ou por grupo de idade, há mulheres se dedicando com um número de horas bem maior do que os homens a esse tipo de trabalho", disse a pesquisadora do IBGE Caroline Santos.
Para Caroline, esse indicador é importante, porque dá visibilidade a um trabalho não remunerado, que é executado pelas mulheres, dentro de casa e que tem pouca visibilidade. Por regiões, verifica-se que no Nordeste as mulheres dedicam um número maior de horas a cuidados nesse tipo de atividade (19 horas por semana, contra 10,5 horas semanais dos homens).
Caroline destacou que, por cor ou raça, existe o agravante histórico, característico da formação do País, em que as mulheres pretas ou pardas se dedicam mais a esse tipo de trabalho não remunerado. As mulheres pretas ou pardas dedicam 18,6 horas semanais para cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, contra 17,7 horas entre as mulheres brancas.
Segundo o IBGE, a dupla jornada fica nítida para as mulheres quando elas têm que se dividir entre os afazeres domésticos e o trabalho pago. "Isso faz com que elas sejam obrigadas a aceitar, em alguns casos, trabalhos mais precários", afirmou Caroline.

Trabalhadoras ainda ganham menos, diz pesquisa da Catho

Apesar de terem conquistado muitos direitos, as mulheres ainda ganham menos que os homens em todos os cargos. É o que aponta o estudo realizado pela Catho, que avalia os salários de homens e mulheres em funções que vão desde o estágio até a presidência de uma empresa. As mulheres ainda são minoria ocupando posições nos principais cargos de gestão, como diretoria, por exemplo.
A Pesquisa Salarial, realizada pela Catho em 2018 com 7.957 profissionais, mostrou que, quando levamos em consideração o nível de escolaridade, as desvantagens que as mulheres têm aparecem com maior evidência em todos os níveis. Em alguns casos, elas chegam a ganhar quase a metade do salário dos homens. É o caso das que têm MBA, cuja diferença salarial é de 42%. O percentual é atenuado conforme a escolaridade vai diminuindo, mas, ainda assim, o salário dos homens é sempre superior. As funções que se destacam com as maiores diferenças de valor são de gerente/diretor/presidente, em que as mulheres recebem 31% menos; e também na função de profissional graduado, com 33% de diferença salarial.
Já em relação à distribuição das mulheres entre diferentes cargos, houve melhora desde 2011, mas as desigualdades ainda aparecem e aumentam à medida que o nível hierárquico sobe. No cargo de presidente, por exemplo, em 2011, 22,91% eram mulheres. Em 2017, esse número foi de 25,85%.
"O maior acesso à educação superior influenciou bastante na redução da desigualdade. A internet também tem papel de peso nesse processo, já que permite mais informação e contato com outras mulheres. No entanto as diferenças ainda são significativas, e a verdade é que estamos longe da equiparação salarial, como podemos observar na pesquisa. Em especial quando percebemos que elas ainda ganham menos que eles em todas as áreas de atuação consultadas", ressalta Kátia Garcia, gerente de relacionamento com cliente da Catho.
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