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Porto Alegre, sexta-feira, 09 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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trabalho

08/03/2018 - 16h35min. Alterada em 08/03 às 16h35min

Após 26 anos, Pesquisa de Emprego e Desemprego deixará de ser realizada no RS

Pesquisa realizada desde 1992 faz panorama completo do mercado de trabalho gaúcho

Pesquisa realizada desde 1992 faz panorama completo do mercado de trabalho gaúcho


STÉPHANY FRANCO/ESPECIAL/JC
Amanda Jansson Breitsameter
Uma das pesquisas mais antigas em operação no Brasil, a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA), realizada desde 1992 pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), deve ser extinta.
Conforme a Associação dos Servidores da FEE (Asfee), a diretoria da fundação - cuja extinção foi aprovada na Assembleia Legislativa e se tornou lei no começo de 2017 - anunciou que as atividades de campo serão encerradas até o fim deste mês.
Com o fim da coleta de dados primários, a pesquisa passará a utilizar apenas dados disponibilizados por órgãos e instituições nacionais, como IBGE e Ministério do Trabalho, o que, conforme técnicos envolvidos diretamente na PED, de fato, extingue a pesquisa.
"Uma pesquisa de mercado de trabalho é necessariamente uma pesquisa com questionários, com uma amostra planejada, um volume grande de municípios selecionados", detalha a coordenadora nacional do Sistema PED, Lúcia dos Santos Garcia. "Com a extinção da PED, será feito apenas um levantamento pueril de dados secundários. Não existe metodologia nisso", sustenta.
Para Lúcia, a utilização dos dados do IBGE e do Ministério do Trabalho como substituição para a PED também pode ser questionada. Sobre os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Lúcia destaca que são dados fornecidos pelo Ministério do Trabalho por meio de informações empresariais, não incluindo o mercado informal, os desempregados ou mesmo novas formas contratuais.
Ao comentar a utilização dos dados do IBGE como forma de substituir a metodologia atual da pesquisa, a técnica do Dieese e também responsável pela PED Virgínia Donoso explica que esses dados são "muito mais rasos do que os dados que a PED coleta, porque são de todo o Estado, sem fazer análises por regiões", explica.

Para Oliveira, pesquisa será remodelada; Lúcia Garcia diz que mudanças extinguem a PED. Fotos: FEE/DIVULGAÇÃO e ANTONIO PAZ/ARQUIVO/JC

A diretoria da FEE tem uma visão diferente. Entende que a pesquisa apenas passará por uma remodelação, sem prejuízos para o estudo. "O modelo de pesquisa que se vinha usando até hoje é mais caro e não se justifica mais, numa época de acesso fácil à informação, de internet", defende o presidente da FEE, Miguel Oliveira.
Segundo Oliveira, não há mais recursos para manter a pesquisa, que custaria em torno de R$ 1 milhão por ano aos cofres da União, além dos cursos administrativos e de pessoal bancados pela FEE. Dos 19 servidores atuais envolvidos exclusivamente com a PED, apenas quatro seguirão nessas atividades, enquanto os outros serão realocados para outros projetos dentro da fundação.
Lúcia rebate essa visão explicando que, ao falar em remodelação, o governo oculta que, de fato, a pesquisa será extinta. "Para o que fazemos, não existe substituto. É como trocar uma Ferrari por um triciclo que mal anda", compara. "O governo tem mandato para decidir extinguir um levantamento, mas deve ser claro em relação a isso", diz. Conforme Lúcia, não houve diálogo do governo com as instituições que realizam a pesquisa. "As decisões foram unilaterais, sem abrir caminho para uma conversa que buscasse uma alternativa", conta.
A PED é reconhecida, desde 2004, como uma política pública pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). A pesquisa faz um levantamento detalhado do mercado de trabalho gaúcho, sondando cerca de 75 mil indivíduos por ano e incluindo enfoques como a mulher e o negro no mercado de trabalho.
Segundo o Dieese, entre as utilidades da pesquisa está a orientação de políticas públicas do trabalho, a orientação de empresários quanto a contratações, remunerações e expansão de negócios e a orientação de trabalhadores para a mesa de negociações.
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Comentários
Roger 08/03/2018 23h26min
Um estado que nao se conhece nao pode ser gerido.