Porto Alegre, quarta-feira, 07 de março de 2018.

Jornal do Comércio

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 07/03/2018. Alterada em 07/03 às 08h18min

Futuro do agronegócio inclui a liderança do Brasil na soja

Marco Fava Neves não vê no horizonte razões para grandes altas na cotação da soja

Marco Fava Neves não vê no horizonte razões para grandes altas na cotação da soja


MARCO QUINTANA/JC
Thiago Copetti, de Não-Me-Toque
Ao falar sobre o futuro do agronegócio no 29º Fórum Nacional da Soja, na Expodireto, o engenheiro agrônomo e pesquisador Marco Fava Neves deu uma injeção de entusiasmo nos produtores que estiveram na feira de Não-Me-Toque. Mas também cobrou algumas novas atitudes. Depois de falar das boas perspectivas mundiais com a expansão da demanda alimentar, destacou que até mesmo especialistas norte-americanos já dão conta de que, em menos de 10 anos, o Brasil será o maior produtor de soja do mundo. E, por isso, Neves falou dos desafios para "ganhar os bilhões de dólares" que estão no horizonte do agronegócio brasileiro.
Em uma palestra animada, inspiradora e visionária, o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) não se furtou em dar sua opinião sobre um tema prático e de máximo interesse para o agricultor: para onde vai o preço da soja e o que fazer neste momento. "Com o preço que está hoje - entre R$ 69,00 e R$ 70,00 a saca -, venderia a parte suficiente para pagar o que peguei emprestado para financiar a lavoura. Mas não sem antes falar com minha esposa", brincou Neves, que é doutor em Administração.
O pesquisador explicou que não vê no horizonte razões para grandes altas na cotação da soja além do já registrado com a quebra da safra argentina. E ressaltou que, mesmo nos próximos anos, o mercado internacional trabalha com projeções de preços estáveis no futuro, entre US$ 10 e US$ 11,20 o bushel (cerca de 27,2 quilos). "O que resta, agora, é esperar os últimos dados da quebra argentina e as primeiras projeções de plantio nos Estados Unidos, mas não deve haver maiores oscilações", avaliou Neves.
Ainda na esfera do otimismo realista - já que boa parte das projeções de Neves leva em conta análises e estudos internacionais europeus e norte-americanos -, o professor da USP ressaltou que a agricultura e a pecuária brasileira devem trazer US$ 30 bilhões extras em divisas para o Brasil em 10 anos. Ao todo, estima Neves, o agronegócio injetará por País, neste período, US$ 1,1 trilhão. "Isso será uma grande ajuda para o Brasil, mas o produtor tem que pensar como isso também o ajudará a ter mais receita. Como a projeção, a partir de agora, é de preços mais ou menos estáveis, ele terá que focar na gestão do seu negócio, ou só estará contribuindo com o País, mas não com o seu bolso", alertou o engenheiro agrônomo.
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