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Porto Alegre, segunda-feira, 05 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 06/03/2018. Alterada em 05/03 às 20h52min

Polícia Federal prende ex-executivos da BRF

Ex-vice-presidente Hélio Rubens dos Santos Júnior chega à sede da PF em São Paulo

Ex-vice-presidente Hélio Rubens dos Santos Júnior chega à sede da PF em São Paulo


/MARIVALDO OLIVEIRA/CÓDIGO 19/AE/JC
A Operação Trapaça, terceira fase da Carne Fraca, deflagrada nesta segunda-feira, mira fraudes laboratoriais perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Um dos alvos é a empresa BRF, gigante do setor de carnes e processados. O ex-presidente da empresa Pedro de Andrade Faria (de 2015 a 31 de dezembro de 2017) e o ex-diretor-vice-presidente Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior foram presos.
Em nota, a Polícia Federal (PF) informou que agentes cumpriram 91 ordens judiciais no Paraná, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul (Arroio do Meio), em Goiás e em São Paulo, 11 mandados de prisão temporária; 27, de condução coercitiva; e 53, de busca e apreensão. Cerca de 270 policiais federais e 21 auditores fiscais federais agropecuários participam da ação coordenada entre a PF e o Mapa.
A Operação Trapaça aponta que cinco laboratórios credenciados junto à Agricultura e setores de análises do grupo empresarial fraudavam resultados de exames em amostras de seu processo industrial, informando ao Serviço de Inspeção Federal dados fictícios em laudos e planilhas técnicos. As fraudes tinham como finalidade burlar o Serviço de Inspeção Federal do ministério (SIF/Mapa) e, com isso, não permitir que a pasta fiscalizasse com eficácia a qualidade do processo industrial da empresa.
As investigações indicam que a prática das fraudes contava com a anuência de executivos do grupo empresarial, bem como de seu corpo técnico, além de profissionais responsáveis pelo controle de qualidade dos produtos da própria empresa. Também foram constatadas manobras extrajudiciais, operadas pelos executivos do grupo para acobertar a prática desses ilícitos ao longo das investigações.
O nome dado à fase é uma alusão ao sistema de fraudes operadas por um grupo empresarial do ramo alimentício e por laboratórios de análises de alimentos a ele vinculados. Os investigados poderão responder, entre outros, pelos crimes de falsidade documental, estelionato qualificado e formação de quadrilha ou bando, além de crimes contra a saúde pública.
Os mandados judiciais cumpridos pela manhã foram expedidos pelo Juízo Titular da 1ª Vara Federal de Ponta Grossa (PR). O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários
(Anffa Sindical) afirmou, em nota, que apoia a Operação Trapaça e "reforça a necessidade da atuação independente e autônoma de servidores públicos no processo de inspeção agropecuária".

Investigados no escândalo da gigante do setor de carnes têm sigilo de dados quebrados

O juiz federal André Wasilewski Duszczak, da 1ª Vara Federal de Ponta Grossa (PR), determinou a quebra dos sigilos de dados e das comunicações dos investigados pela terceira fase da Operação Carne Fraca. A medida vale para qualquer documento apreendido em meio físico ou digital, computadores, smartphones, aplicativos e programas de compartilhamento de mensagens, como WhatsApp, Telegram etc.
O grupo é investigado por fraudar resultados de análises laboratoriais relacionados à contaminação pela bactéria Salmonella pullorum. A prisão temporária de 11 pessoas vale por cinco dias, podendo ser prorrogada por igual período em caso de "extrema e comprovada necessidade".
Segundo o despacho, ao analisar os e-mails trocados internamente por pessoas do Grupo BRF, a Polícia Federal identificou possíveis ilicitudes ocorridas no laboratório da empresa. O documento cita conversas sobre uma ação trabalhista movida pela ex-supervisora da BRF Adriana Marques Carvalho, que afirmou ter sido pressionada por superiores para alterar resultados de análises laboratoriais e simular a rastreabilidade de amostras.
O juiz sustenta que os investigados, quando foram informados dos crimes de falsidade ideológica e contra a saúde pública, "em vez de avisar os órgãos de fiscalização e usar sua autoridade na empresa para mandar apurar os fatos e corrigir as irregularidades, não só permanecem inertes, como ainda ajustam suas vontades para ocultar os ilícitos".
Segundo o juiz, a prisão temporária dos investigados possibilitará o confronto das declarações por eles, se necessário com acareações entre os envolvidos. "Relevante, ainda, destacar a gravidade das condutas, que afetam diretamente a saúde da população (na medida em que possibilitam a comercialização de produtos de origem animal desprovidos da devida fiscalização sanitária e, muitas vezes, até impróprios para o consumo) e ferem a reputação do Brasil como exportador de gêneros alimentícios", diz Duszczak.
Em comunicado aos acionistas e ao mercado, a BRF informou que está se inteirando dos detalhes da operação e colaborando com as investigações para esclarecimento dos fatos. "A companhia segue as normas e os regulamentos brasileiros e internacionais referentes à produção e à comercialização de seus produtos, e, há mais de 80 anos, a BRF demonstra seus compromissos com a qualidade e a segurança alimentar, os quais estão presentes em todas as suas operações no Brasil e no mundo", diz a nota da empresa.

Entidades projetam menor impacto nesta fase

Enquanto a deflagração da Operação Carne Fraca no ano passado levou mais de 70 países a suspenderem suas relações comerciais com o Brasil, a terceira fase da ação, que teve início ontem, não deve ser de tamanha repercussão pela avaliação de entidades que representam o setor. Nesta terceira etapa, cinco laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) fraudavam resultados de exames em amostras de seu processo industrial.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra, afirma que após os danos anteriores causados pela operação, uma série de agendas foram marcadas para reafirmar a segurança alimentar no País, o que conferiu credibilidade aos produtos. "Tão nocivo quanto as outras etapas não será, mas é possível prever algum desconforto", projeta. Turra comemora que empresas em inconformidade com as regras estejam sofrendo sanções, mas teme a generalização que ocorreu no ano passado. "Falo que o grande mal é generalização por saber o quão mal ela já fez", enfatiza.
Pelo entendimento do diretor executivo do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado (Sicadergs), Zilmar Moussalle, seus associados não serão afetados, uma vez que a operação focou na BRF, que processa apenas carnes de frango e suína. "Trabalhamos com bovinos, não tem nada a ver com a gente", enfatizou, ao lembrar que as outras empresas não atingidas não podem ser penalizadas pelos compradores.
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, divulgou um vídeo sobre a operação. Maggi reforçou que tudo foi feito pela PF em conjunto com o Ministério da Agricultura para resolver problemas de relação de laboratórios com empresas produtoras de alimentos. Afirmou, ainda, que a Operação Trapaça se trata de reflexo da Carne Fraca, e "que não tem nada a ver com o momento que estamos vivendo", comentou, sem especificar qual momento seria esse.
Ele afirmou que o consumo de carne de aves no Brasil é seguro. "Não há nenhum risco no consumo de carnes de aves das empresas citadas ou não." "Salmonela desaparece quando a carne é cozida ou frita", disse. Maggi acrescentou, ainda, que a discussão sobre essa investigação "é sobre exportação para alguns países" e que se trata de certificados que, segundo a investigação, foram burlados para a exportação a países específicos que têm outras regras em relação à salmonela. "Queremos que as coisas sejam feitas de forma correta e transparente", finalizou.
"Temos total interesse em expurgar os maus profissionais de seus cargos, então estamos colaborando totalmente com a Polícia Federal", assegurou o secretário executivo do Mapa, Eumar Novacki, em Não-Me-Toque, onde participa da Expodireto. Ele argumenta que a primeira etapa da operação, que deveria apenas corrigir desvios, colocou em cheque a credibilidade em qualidade dos produtos brasileiros. Para evitar este movimento, o ministério está em contato com mercados que são parceiros estratégicos da cadeia.
 

BRF perde R$ 4,9 bilhões em valor de mercado após operação

A BRF perdeu quase R$ 5 bilhões em valor de mercado nesta segunda-feira depois que a Polícia Federal (PF) deflagrou nova fase da Operação Carne Fraca e prendeu Pedro de Andrade Faria, ex-presidente da empresa, a maior processadora de alimentos do País.
Os papéis recuaram 19,74%, para R$ 24,75. Isso equivale a uma perda de R$ 4,95 bilhões em valor de mercado ante sexta-feira. A bolsa brasileira fechou em leve alta de 0,30%, para 86.022 pontos.
Por contágio, as ações da JBS recuaram 5%, para R$ 9,50. A Marfrig teve queda de 0,95%, para R$ 6,26. E a Minerva, fora do Ibovespa, caiu 0,43%, para R$ 9,30. Somadas, todas as empresas perderam R$ 6,4 bilhões em valor de mercado nesta sessão.
A forte queda nas ações da BRF ocorreu após Faria ser preso pela PF em investigação que apura que setores de análises do grupo e cinco laboratórios credenciados junto ao Ministério da Agricultura fraudavam resultados de exames em amostras do processo industrial, informando dados fictícios ao Serviço de Inspeção Federal (SIF/Mapa).
Segundo a PF, o ex-presidente teria tentado acobertar as fraudes, reveladas na petição inicial da ação trabalhista de uma ex-funcionária do grupo. As fraudes tinham como finalidade burlar o Serviço de Inspeção Federal, impedindo que o Ministério da Agricultura fiscalizasse com eficácia a qualidade do processo industrial da BRF. Em comunicado ao mercado, a BRF disse que está se inteirando dos detalhes da operação e está colaborando com as investigações para esclarecimento dos fatos.
Além da Carne Fraca, a BRF está mergulhada em uma crise provocada pelo processo de reestruturação societária. Nesta segunda-feira, o Conselho de Administração da empresa se reuniu, não discutiu a prisão do ex-presidente e marcou novo encontro para decidir sobre a troca no órgão. A tendência é de que Abilio Diniz seja removido da presidência do colegiado e substituído por Augusto Marques da Cruz Filho, um desafeto do empresário.
A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 784 milhões no quarto trimestre, uma piora em relação ao resultado negativo de R$ 442 milhões registrado um ano antes. "A BRF é uma empresa que está passando por uma reestruturação e que tentou um movimento de corte de custo agressivo", diz Phillip Soares, analista da Ativa Investimentos.
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