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Porto Alegre, domingo, 04 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Indústria

Notícia da edição impressa de 05/03/2018. Alterada em 04/03 às 22h42min

Raul Randon morre aos 88 anos

Liderança e veia empreendedora são consideradas marcas importantes na carreira de Randon

Liderança e veia empreendedora são consideradas marcas importantes na carreira de Randon


/MAGRão scalco/DIVULGAÇÃO/JC
Roberto Hunoff, de Caxias do Sul, e Tatiana Prunes
O falecimento de Raul Anselmo Randon, fundador das Empresas Randon, deixou de luto o setor industrial gaúcho. Autoridades, empresários e a comunidade de Caxias do Sul também lamentaram a perda.
O empresário da serra gaúcha tinha 88 anos e estava internado em São Paulo, no Hospital Albert Einstein, desde dezembro do ano passado, quando passou por cirurgia no fêmur. No sábado, sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. Ele deixa a mulher, Nilva, com quem foi casado por 62 anos, os filhos David, Alexandre, Roseli, Maurien e Daniel, 10 netos e um bisneto.
O presidente da Fiergs, Gilberto Petry, destacou o empreendedorismo de Randon, que era para ele também um amigo pessoal. "Infelizmente, depois de ter ficado três meses hospitalizado em São Paulo, faleceu sem haver uma despedida. Como pessoa era de um astral altíssimo e alegre. Como empresário estava sempre em busca de um novo empreendimento, criando um novo negócio. Essa era uma das grandes marcas do Raul e que fará muita falta", disse o presidente da principal entidade industrial do Estado.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos do Rio Grande do Sul (Simers), Cláudio Bier, Randon foi "um dos maiores empreendedores que o Estado já teve. Um homem que não usou medidas para empreender, um homem visionário que inventava diversos tipos de negócios, se mantendo sempre insuperável. Perdemos um homem com 'H' maiúsculo".
O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs) lançou nota de pesar. Conforme o presidente da entidade, Reomar Slaviero, a morte do industrial representa uma grande perda para o segmento industrial de Caxias do Sul, da região e principalmente do País, especialmente para as 3.600 empresas associadas e representadas pelo Simecs.
"O Seu Raul como sempre foi chamado, caracterizou-se como um extraordinário empresário, sendo reconhecido pela magnífica história de vida e trabalho. Herdeiro de uma simplicidade única, ao longo dos seus 88 anos de vida construiu a trajetória vencedora do grupo Randon ao lado do seu irmão Hercílio (in memoriam) alcançando projeção internacional. Raul é o sinônimo marcante das empresas Randon", acrescentou o dirigente do Simecs.
Considerado um empreendedor de grande valor, Randon deu origem a um dos principais conglomerados da indústria do Rio Grande do Sul. Atualmente, as Empresas Randon são formadas por nove organizações, com receitas de R$ 3 bilhões (em 2017, até setembro). O foco do grupo é a produção de implementos rodoviários e vagões ferroviários, caminhões fora de estrada, retroescavadeiras e componentes automotivos para o segmento de veículos pesados, além de um banco e negócios de consórcios.
Tem presença em praticamente todo o mundo, com parques industriais na Argentina, na China, nos Estados Unidos e no Peru. No exterior, ainda tem escritórios internacionais, unidades de montagem e CKD, e centros de distribuição. Em Caxias do Sul, emprega em torno de 8 mil pessoas.
Até abril de 2009, Raul Randon presidia o Conselho de Administração e a diretoria executiva das organizações. Naquele ano, seu filho primogênito, David Randon, assumiu a presidência da diretoria, e o fundador ficou no comando do Conselho de Administração.
"Ele sempre foi a base de tudo na empresa, uma referência, uma pessoa que apostava nos sonhos de todos que estavam ao seu lado, seja da família ou um funcionário", diz o filho David.
Nascido em 6 de agosto de 1929, em Tangará, interior de Santa Catarina, Randon chegou à cidade com 10 anos de idade - os pais Abramo e Elisabetha Randon eram naturais de Caxias do Sul, mas tinham se mudado em busca de oportunidades de trabalho. Seu início profissional foi aos 14 anos, atuando na ferraria que pertencia ao pai.
Em 1949, após o serviço militar, em parceria com o irmão Hercílio e um amigo, abriu uma pequena fábrica de máquinas tipográficas. O empreendimento foi destruído por um incêndio e, em 1951, os irmãos empreenderam em uma oficina mecânica. Nos anos seguintes, em linha com o desenvolvimento efetivo do setor automotivo no País, a empresa cresceu, transformando-se em referência nacional e no exterior.
O corpo do empresário será cremado hoje, em Caxias do Sul. A partir das 7h30min, ocorrerá velório na Igreja São Pelegrino, com missa às 10h, e posterior cremação, ato reservado aos familiares. O velório foi realizado ontem, das 16h às 22h, no Memorial São José; teve a presença de centenas de pessoas, que foram prestar homenagens ao empresário e se solidarizar com os familiares e amigos.
A diretoria do grupo Randon liberou parte dos funcionários das unidades fabris de Caxias do Sul das atividades deste domingo e também hoje, retornando ao normal durante a tarde. As unidades localizadas fora de Caxias do Sul terão funcionamento normal.

Veja o que disseram entidades

"O Rio Grande do Sul e o Brasil perdem uma grande liderança empreendedora, cuja simpliciadade era sua principal característica, tanto que estava sempre presente no chão de fábrica. Raul Randon cumpriu sua caminhada e deixa um legado importante, sem esquecer da sua postura, da forma transparente de expor posições e da maneira acessível e solidária de ser." José Ivo Sartori, governador do Estado
"Como empresário estava sempre em busca de um novo empreendimento, criando um novo negócio. Essa era uma das grandes marcas do Raul e que fará muita falta." Gilberto Petry, presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs)
"Perdemos um dos maiores empreendedores que o Estado já teve. Um homem que não usou medidas para empreender, um homem visionário que inventava diversos tipos de negócios, se mantendo sempre insuperável. Perdemos um homem com 'H' maiúsculo." Cláudio Bier, presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos do Rio Grande do Sul (Simers)
"Sem dúvida, é um momento de profunda consternação em nosso meio, mas temos a certeza de que o seu Raul vai ser sempre lembrado por todos nós pela sua perseverança, espírito empreendedor e humildade. Raul Randon entra para a Galeria de Honra do Simecs como um grande empresário que sempre acreditou no trabalho como fonte de realização." Reomar Slaviero, presidente do Simecs
"Com Raul Randon, não apenas Caxias do Sul e a serra gaúcha, mas os empreendedores de todo o Brasil perdem um líder de inovação, garra, criatividade, obstinação e uma referência em ética e devoção ao trabalho. Lamentamos profundamente e manifestamos nossa solidariedade a toda família e trabalhadores, diretores e associados do Grupo Randon." Jaime Lorandi, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás)
"Lamentamos o falecimento do senhor Raul Randon. Nosso relacionamento sempre foi de respeito e cordialidade. Prestamos nossas condolências à família." Claudecir Monsani, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul

Da indústria para o campo

Envolvimento com o agronegócio ganhou maior espaço na rotina do empresário nos últimos anos

Envolvimento com o agronegócio ganhou maior espaço na rotina do empresário nos últimos anos


/GILMAR GOMES/DIVULGAÇÃO/JC
Além do segmento automotivo, Raul Randon investiu no agronegócio. Em 1979, em Vacaria, começou com a cultura da maçã. Hoje, a empresa Rasip também atua nos segmentos lácteo, com queijos, nata e outros derivados, com vinhos e espumantes, produtos importados e, mais recentemente, com azeites de oliva.
O envolvimento de Randon com o campo começou ainda na infância, quando ajudava os avós a cultivar a terra. Em 1976, aproveitando incentivos fiscais do governo federal, deu início ao plantio das primeiras mudas de macieiras. Três anos depois, foi fundada a Rasip, hoje uma das principais produtoras de maçã do País. "Achei que esse era um bom negócio, já que quase toda a fruta consumida no Brasil era importada", relembrou Randon em entrevista ao Jornal do Comércio em 2010. Na ocasião, com 81 anos, o empresário mostrava-se disposto a seguir empreendendo, sem espaço para pensar em aposentadoria.
Da parceria com a vinícola Miolo surgiu o premiado vinho RAR, iniciais de Raul Anselmo Randon. As uvas saem das terras de Randon em Vacaria. Primeiro foram cultivadas variedades Cabernet Sauvignon, passando para Merlot, Pinot Noir e Chardonnay, entre outras, distribuídas em 65 hectares. "Eu não queria fazer vinho, mas fui fazendo", dizia Randon.
Até setembro do ano passado, o empresário ia praticamente todos os dias na empresa. Mas a partir de outubro sua rotina passou a ser pontuada por visitas aos consultórios médicos, diz o atual presidente da Randon, David Randon, filho de Raul. Ele conta que o maior hobby do pai eram as rodadas de carteado com os amigos, especialmente o jogo de canastra, e a fazenda em Vacaria, onde gostava de passar os finais de semana.

Empresário se destacou na atuação junto à comunidade caxiense

Randon apoiava Projeto Florescer, que ajudava crianças e jovens

Randon apoiava Projeto Florescer, que ajudava crianças e jovens


/FELIPE PADILHA/DIVULGAÇÃO/JC
Além de erguer uma das maiores empresas do mundo no segmento de veículos pesados, Raul Randon construiu um legado comunitário muito forte. Uma de suas maiores alegrias era o Projeto Florescer, criado há 15 anos para preparar crianças e adolescentes, de seis a 14 anos, em situação de vulnerabilidade social, para o exercício da cidadania e para uma melhor qualidade de vida.
O programa atende beneficiários em dois núcleos, localizados nas dependências das Empresas Randon. Já há franquias consolidadas em Ribeirão Preto (SP), Bento Gonçalves e Vacaria (RS), e Maringá (PR). Em 2005, teve início o Florescer Profissional, voltado a jovens de 15 a 16 anos, para uma melhor inserção no mercado de trabalho.
O empresário teve forte participação comunitária. Uma de suas principais lutas foi em torno da segurança, sendo responsável, ao lado de outras lideranças, pela criação do Movimento Comunitário Contra a Violência, que continua empreendendo ações para qualificar este segmento.
Em agosto do ano passado, o aniversário de 88 anos foi marcado pelo lançamento de um filme em que Raul Randon foi o protagonista. Raul Randon, Viver e Acreditar trata da trajetória do empreendedor, desde a oficina rústica até o grupo industrial que ergueu ao longo de quase 70 anos.
Presidiu a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul no período de 1975 a 1978. Em sua gestão foi construída a atual sede da entidade. Em homenagem ao ex-presidente, que ainda integrava seu Conselho Superior, a entidade cancelou a reunião-almoço desta segunda-feira. A CIC destacou Randon como empreendedor incansável, carismático, dono de grande simplicidade, visionário e inspirador de várias gerações de executivos e empresários.
Por sua trajetória empresarial e como cidadão, há quase três décadas, Raul Randon foi agraciado pela Câmara de Vereadores de Caxias do Sul com o Título de Cidadão Caxiense, em 19 de maio de 1988.
O presidente da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, Alberto Meneguzzi, destacou a visão comunitária de Randon, marcante na colaboração com a Festa da Uva e em obras sociais. "Esta casa lamenta a perda de personagem tão relevante para a construção da imagem pública de Caxias e de sua gente, e apresenta sua solidariedade aos familiares e a todos quantos tiveram a oportunidade de conviver com Raul Randon."

Governador destaca liderança empreendedora e legado do industrial da serra gaúcha

O governador José Ivo Sartori, se manifestou, via rede social, sobre a morte do empresário Raul Randon. "O Rio Grande do Sul e o Brasil perdem uma grande liderança empreendedora, cuja simplicidade era sua principal característica, tanto que estava sempre presente no chão de fábrica. Raul Randon cumpriu sua caminhada e deixa um legado importante, sem esquecer da sua postura, da forma transparente de expor posições e da maneira acessível e solidária de ser."
O prefeito de Caxias do Sul, Daniel Guerra, em nota oficial, enfatizou o perfil visionário de Randon e a contribuição para o progresso e desenvolvimento da cidade. "Ele levou o nome de Caxias do Sul para o Brasil e para o mundo, com seus produtos e profissionais. Além do grande empresário, perdemos um ser humano humilde e preocupado com as pessoas", declarou.
Para o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marlon Santos (PDT), o empresário foi, sem dúvida, uma inspiração, um modelo de empreendedorismo de toda uma época ao Estado. "E o que mais se admira é a questão de maturidade empresarial que ele teve, desde sempre, passando por vários modelos de governo. Perdurou à questão da informática adaptando a empresa de uma maneira longínqua, conservando a marca e superando, ainda, várias crises econômicas e políticas, numa área em que ele não era o único."
Por meio de nota, a Federasul (Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul) lamentou a perda do empresário, considerado um homem simples e obstinado, responsável por transformar projetos e sonhos em cases de sucesso. "Empresário que, como poucos, aliou o desenvolvimento econômico ao social, alcançou sucesso com as Empresas Randon e com o programa Florescer", diz o texto divulgado pela entidade.
Raul Randon também foi homenageado com 1 minuto de silêncio antes do início da partida entre Grêmio e Juventude pela 10ª rodada do Campeonato Gaúcho, realizada ontem, no estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.
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