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Porto Alegre, terça-feira, 06 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 07/03/2018. Alterada em 06/03 às 17h30min

Documentário sobre pesquisador da imigração italiana estreia nesta quinta

Apaixonado pela imigração italiana, Luiz Fitarelli é personagem central da produção

Apaixonado pela imigração italiana, Luiz Fitarelli é personagem central da produção


BOCA MIGOTTO/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
"O que ele faz é um ato de resistência", define o cineasta Boca Migotto, a respeito da figura principal do seu novo documentário, Luiz Fitarelli. Há mais de 10 anos, o protagonista vem construindo a Villa Fitarelli, um povoado colonial em Garibaldi, na Serra. Na noite de sábado, o município recebeu uma sessão a céu aberto do longa que atraiu quase 800 espectadores. Com o título Pra ficar na história, o filme pode ser visto em Porto Alegre a partir de quinta-feira (8), em circuito comercial. Também ocorrem exibições em Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Rio de Janeiro nos próximos dias.
Realizado por Epifania Filmes e Teimoso Filmes e Artes, em coprodução com Globo Filmes e GloboNews, o trabalho acompanha parte do cotidiano do personagem, que começou a colecionar antiguidades aos 12 anos. Décadas se passaram, e o hobby deu origem à construção de uma vila que remete ao final do século XIX - com capela, estábulos e moinho com roda de água, barris de vinho, móveis coloniais e ferramentas da época. Além de trabalhar na preservação cultural, a iniciativa, realizada a partir do próprio bolso do protagonista, já serviu como cenário para gravação de novelas e filmes de época, entre outros projetos.
O longa, no entanto, não se dedica ao local, e sim a seu idealizador. Veterinário apaixonado por história, Fitarelli é até levado à região de onde vieram seus antepassados, na Itália, em viagem que a produção usa também para explorar as semelhanças e diferenças com o Sul do Brasil. Foram captadas imagens em Garibaldi e nas cidades de Lentiai, Maróstica, Canal San Bovo e Pádua.
Em conversas ou registros do personagem em seus afazeres, fica evidente a importância com que o personagem vê as memórias. "Levando em conta que nós vivemos em uma região que não dá valor para isso, essa relevância triplica", afirma o diretor, que revela um olhar crítico. "Tem o fato de essa região não ter tradição de investimentos na cultura."
De acordo com Migotto, Fitarelli era considerado maluco por gastar dinheiro com antiguidades. "Ele deixou de ser um louco quando a Globo foi lá filmar. No momento em que o Lázaro Ramos apareceu, houve um 'opa, talvez o Fitarelli seja um visionário'", lembra o cineasta, citando que as pessoas costumam usar o valor financeiro como medida para tudo. No caso do personagem do filme, investir no passado era frequentemente visto como algo sem retorno. "Trabalhar com cultura e educação neste País é resistência pura", resume o cineasta, aludindo às dificuldades enfrentadas por produtores.
Em outro dos momentos do trabalho audiovisual - cuja duração total tem pouco mais de uma hora -, a chegada dos italianos é comparada com a presença dos nigerianos e haitianos que hoje buscam novas oportunidades de vida no Estado. "Só alguém que não discute sua própria história vai ter preconceito contra o imigrante", destaca o diretor. "Nossos antepassados vieram, porque não tinham mais o que fazer na Itália."
O interesse de Migotto pelo tema não é de hoje: sua trajetória demonstra a preocupação com a memória local. Ele já deu aula sobre documentário e tem seu nome atrelado a projetos como a série Sapore D'Italia (2013), os curtas documentais Rio das Antas - O vale da fé (2008) e Pra ficar na história - Villa Fitarelli (2015), além do longa-metragem Filme sobre um Bom Fim (2015), a respeito do bairro porto-alegrense.
Migotto, como o sobrenome sugere, também tem ascendência no país europeu. Nascido em Carlos Barbosa, ele é neto de um imigrante. "Isso tornou (a relação com as tradições) muito mais próxima para mim. Meu pai contava muitas histórias, minha mãe, também. Eles falavam dialeto italiano em casa", explica ele, que também assina o roteiro do longa.
A obra pode ser vista na Serra no fim de semana. O Sesc Bento Gonçalves (Cândido Costa, 88) exibe o filme às 20h de sexta-feira. Em Caxias do Sul, as sessões ocorrem às 18h de sábado e domingo, no Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho (Luís Antunes, 312). Já as apresentações na televisão ainda não têm datas definidas.
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