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Porto Alegre, quinta-feira, 08 de março de 2018.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

LIVROS

Notícia da edição impressa de 09/03/2018. Alterada em 08/03 às 16h51min

Crônicas sobre o amor

Detalhe da capa do livro

Detalhe da capa do livro


REPRODUÇÃO/JC
Jaime Cimenti
Tudo que acontece aqui dentro - Cartas de amor nunca rasgadas (Faro Editorial, 196 páginas, R$ 34,90), crônicas do gramadense Júlio Hermann, é sua estreia literária e se originou de crônicas que o autor publica na internet, com muito sucesso. Segundo informações, são centenas de milhares de leitores do site Entre todas as coisas.
O amor tem sido um dos maiores e mais duradouros temas para inspiração de poetas, escritores, artistas plásticos, dramaturgos, cineastas e cronistas. Em suas muitas formas e em épocas diversas, inclusive em nosso tempo, o amor segue imenso, infindável e instigante e parece ser tão múltiplo como os humanos.
Júlio Hermann usou a seguinte epígrafe para sua obra; "Amar é afogar-se com os próprios sentimentos e continuar respirando". Parece a síntese do amor para a jovem geração do autor, que escreve sobre primeiros amores, rompimentos, alegrias, rejeição, paixão, saudades e outros sentimentos.
O escritor, segundo o apresentador do livro, Daniel Bovolento, "consegue trazer uma visão quase inocente sobre o amor e as nossas fragilidades-que-não-são-facilmente-expostas. É um mergulho no mundo submerso dos sentimentos ora com leveza, ora com intensidade. Você encontra aqui o que sempre quis dizer a alguém - ou a si mesmo - , mas que nunca teve coragem de tirar de dentro de si. E descobre que ler sobre tudo o que você guarda aí dentro pode ser bonito e reconfortante também".
A obra tem cartas que deveriam ter sido rasgadas, registros dos sentimentos pessoais de quem revelou bem mais de si do que a maioria de nós. Hermann não tem medo de se expor, não se deixa bloquear por barreiras e, sem pudor ou jogos de palavras, traz alegrias, dores e amores. Fala de momentos felizes e de quando pensou que não iria aguentar. Abre seu coração compartilha impressões sobre esses tempos de amores descartáveis e dificuldades de amar verdadeiramente e expressar o amor.
Trecho do livro: "Eu sei que isso tudo já deve ter ultrapassado a barreira da normalidade e eu tenho pensado demais em você, mas deve existir sei lá o quê de bonito nisso aqui enquanto o sol despenca lá fora. E eu poderia jurar que encontrei um quê de poesia na maneira como você fecha os olhos e como a tua bochecha enruga quando sorri. Eu não entendo o mundo, não me entendo e só consigo pensar nisso enquanto olho da janela do meu quarto esse bando de gente desinteressante simplesmente por não ser você".

lançamentos

O mal de Lázaro (Tordesilhas, 176 páginas), do diplomata e escritor paranaense Krishna Monteiro, é um belo e bem construído romance, que trabalha muito bem a palavra e apresenta a trama com sedução narrativa e refinada técnica literária. Um velho estranho chega numa cidade localizada num espaço imaginário e uma mulher envolta em sombras narra a história. Lázaro, o homem, era capaz de produzir milagres.
Quando os diabos eram loiros (Muruci Editor, 336 páginas), de Marcos Francisco Reimann, graduado em comunicação social e direito, nascido em Três de Maio em 1958, é um bem trabalhado e caudaloso romance sobre a saga do repórter Miguel, jornalismo, ética, redes sociais e suicídios. Imigrantes poloneses, italianos, alemães, portugueses, ciganos e bugres figuram no denso relato, em meio a verdades, mentiras e redes sociais.
Ética da Formação (Educs, 220 páginas), de Jayme Paviani, professor universitário criador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Caxias do Sul e autor de vários livros, mostra que não somente a atividade pedagógica possui uma dimensão ética, também o fazer científico implica responsabilidade moral e que a ciência e a pedagogia lidam constantemente com escolhas, decisões, ações e avaliações.
 

Arroz, feijão e caviar

É difícil definir gastronomia. Diz o Aurélio que é a arte de preparar as iguarias de modo a tirar-se delas o máximo prazer e que é a arte de escolher e saborear os melhores pratos. Gastronomia, numa definição mais ampla, é um ramo do estudo de processos culinários, o que uma sociedade come e como.
A história dos alimentos e de sua preparação é uma das partes mais bonitas e saborosas da História da humanidade. Cozinhar é ótimo para a cabeça. Dizem que se a gente cozinhasse uma vez por dia não precisaria tanto remédio ou psicoterapia. Interessante que no Brasil antigo a comida era caseira: arroz, feijão, carne, salada e muitas vezes fruta de sobremesa. Era uma dieta boa, saudável.
Éramos mais esbeltos. Hoje 60% dos brasileiros têm sobrepreso e 20% são obeso. Consumo de comida industrializada, alimentação fora de casa e aquisição de péssimos hábitos alimentares nos deixaram quase tão gordos quanto os norte-americanos. O problema é sério e os governos já estão de olho, para ver pessoas com cabeças e corpos melhores.
Desde o tempo dos bifes de dinossauro, vivemos entre comida simples e pratos sofisticados. Dizem que os cozinheiros italianos foram para a França, na época da Maria Antonieta, para ensinar a preparar pratos mais transados. Depois os franceses desenvolveram ainda mais as artes da gastronomia e, literalmente, colocaram aqueles molhos maravilhosos que eles sabem fazer. Comida italiana é muitas vezes forte nos ingredientes e nas cores e comida francesa, dizem, é a arte de fazer um excelente jantar com as sobras do almoço.
Quando hoje vivemos o auge da comida espanhola, permanecem fortes as culinárias italiana e francesa. Pratos orientais também estão em alta. Em Porto Alegre temos umas cento e sessenta churrascarias e uns sessenta restaurantes com comida japonesa. Os brincalhões dizem: restaurantes japoneses fecham cedo para que as pessoas possam ir jantar em algum lugar depois.
Em Minas Gerais, no restaurante Glouton, o chef Leonardo Paixão serve uma sofisticada papada de porco (custa R$ 6,50 o quilo no mercado) por R$ 74,00. A papada vem com mil-folhas de mandioca, acelga e molho de laranja e qual o problema de custar R$ 74,00?
Usar técnicas e receitas internacionais para preparar ingredientes locais ou apresentá-los de outra forma faz parte. Aqui em Porto Alegre o chef Phillipe Remondeau usou técnica francesa para um suflê à base do nosso localíssimo pinhão. A chamada "fusion cuisine", fruto da globalização, enfatiza o intercâmbio de ingredientes, a troca de experiências entre culturas e a mistura de técnicas. O resultado geralmente é uma delícia, como o crepe de maracujá do chef Claude Troigrois.
Temos a paella gaúcha, com charque, linguiça e "otras cositas". A maioria gosta, mas alguns andam chamam a "paiúcha" de carreteirão. Nada contra o gostoso carreteiro, por favor.
Todo mundo concorda que a comida da mãe é a melhor, mesmo que a mãe não cozinhe muito bem. Um jornalista sugere que não se deve comer nada que nossa avó não chamaria de comida.

a propósito...

Ferran Adriá, chef espanhol dono do lendário restaurante El Bulli, que ficou na história com sua gastronomia molecular, com pratos e receitas inusitados, tinha uma cozinha parecida com o laboratório do Einstein. Hoje ele acha que a comida vai ficar cada vez mais simples, regional e popular. Na real, os grandes cozinheiros, depois de preparar mil quitutes, adoram comer pão com ovo, bife com batata frita, frango assado, arroz com feijão e goiabada cascão com queijo de sobremesa. Entre o arroz, o feijão, o caviar Beluga, a massa com molho de tomate e o risoto de trufas a gente vai vivendo e comendo. Comer e dormir, pela ordem, são o primeiro e o segundo maiores prazeres da vida. Quer mudar a ordem? Fique à vontade. Buon apetitto! (Jaime Cimenti)
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