Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 08 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Colunas

COMENTAR | CORRIGIR
Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 08/03/2018. Alterada em 07/03 às 23h01min

Quaresma: tempo de conversão e renovação interior

No início do tempo quaresmal, fomos recordados da nossa condição: somos pó, e ao pó retornaremos. Entretanto, o pó que somos conserva uma identidade e uma dignidade.
Somos, pois, convidados a não esquecer que não possuímos a vida. Ela é um dom concedido pelo Criador de todas as coisas. Ele infunde em cada um de nós seu sopro vital e quer que vivamos a vida de forma digna.
Somos criaturas frágeis! Somos, contudo, imagem e semelhança do Criador. Em cada ser humano está presente o sopro divino. Nossa vida é participação na vida do Divino Criador. Recordar o elementar da existência humana significa ter presente a própria dignidade e a miséria, a grandeza e a fragilidade; significa resgatar a tensão existente entre finitude e infinitude, vida e morte.
Blaise Pascal soube sintetizar, de forma magistral, o que a espiritualidade da Quaresma nos ensina: "O conhecimento de Deus sem o da própria miséria faz o orgulho. O conhecimento da própria miséria sem o de Deus faz o desespero. O conhecimento de Jesus Cristo encontra-se no meio, porque nele encontramos Deus e nossa miséria" (fr. 527).
Em Jesus Cristo, Deus assumiu a condição humana, com sua limitação, caducidade e morte. Por isso, Jesus Cristo, de forma característica, é imagem de Deus e também do verdadeiro ser humano. O tempo da Quaresma é uma oportunidade oferecida a todo ser humano de boa vontade e, especialmente, a todos os batizados, para retornar ao Senhor "de todo o coração" (Jl 2,12), abandonando toda forma de mediocridade e hipocrisia.
Trata-se de um tempo privilegiado para afastar tudo o que distrai o espírito e alimenta a vulgaridade, para intensificar o que sustenta e dá vigor à alma, abrindo-a ao amor de Deus e do próximo. Ajuda-nos, nesse caminho, um maior compromisso na oração, na leitura orante da Palavra, na prática da reconciliação, na participação ativa, comprometida e consciente na Eucaristia celebrada na comunidade, o compromisso solidário, especialmente os mais pobres.
Como ensina o Papa Francisco, "Jesus veio para nos dar a vida plena (cf. Jo 10, 10). Na medida em que Ele está no meio de nós, a vida se converte num espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos. Este tempo penitencial, em que somos chamados a viver a prática do jejum, da oração e da esmola nos faz perceber que somos irmãos. Deixemos que o amor de Deus se torne visível entre nós, nas nossas famílias, nas comunidades, na sociedade. (...) Em Cristo somos da mesma família, nascidos do sangue da cruz, nossa salvação". A paz que todos desejamos requer oração, escuta atenta da Palavra, conversão. "A paz é tecida no dia a dia, com paciência e misericórdia, no seio da família, na dinâmica da comunidade, nas relações de trabalho, na relação com a natureza. São pequenos gestos de respeito, de escuta, de diálogo, de silêncio, de afeto, de acolhida, de integração, que criam espaços onde se respira a fraternidade."
Sem a disposição para uma renovação interior orientada e iluminada pelo Evangelho do Crucificado-Ressuscitado e sem um autêntico caminho de conversão não será possível superar a violência, construir fraternidade, saborear já aqui e agora os valores do Reino de Deus, participar da alegria da Páscoa!
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia