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Porto Alegre, quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 01/03/2018. Alterada em 28/02 às 21h55min

O enigma da mineralidade dos vinhos

Heber Rodrigues
Uma das maiores mudanças na ciência do consumidor é a busca pela compreensão do vocabulário de consumidores e produtores. O mundo do vinho é um exemplo característico. A infinidade, a amplitude, o refinamento e a complexidade do vocabulário do vinho são o fruto da diversidade de sensações produzidas no momento da interação entre o degustador e essa bebida. A produção de descritores é uma etapa importante na tradução dessas sensações percebidas. Na maior parte do tempo, a análise sensorial de vinhos dá lugar a descrições multidimensionais. A dificuldade da compreensão desse tipo de descritores multimensionais é que eles apresentam uma dupla faceta que inclui diversidade de significados e falta de consenso.
A utilização da palavra mineralidade na descrição de vinhos é um exemplo desse fenômeno. Saída da obra literária "Les Impudents" da escritora francesa Margueritte Duras; de 1946, a palavra mineralidade vem, desde a década de 1980, sendo a grande vedete das descrições de vinhos no mundo todo, sendo cada vez mais presente na imprensa especializada, no discurso de produtores, bem como nos mais importantes blogs dedicados ao vinho. Embora essa utilização seja viral ao redor do mundo, paradoxalmente, não a notamos nos dicionários "Larousse" ou "Le Petit Robert". Isso causou curiosidade em cientistas ao redor do mundo e estudos são feitos depois de 2012 na República Checa, França, Nova Zelândia, EUA, Inglaterra, Suíça e Espanha. Inclusive duas teses de doutorado foram dedicadas a elucidar esse enigma.
Indícios de que essa palavra não existe apenas no imaginário das pessoas foram encontrados. Mas muito ainda precisa ser feito para encontrar a verdadeira origem científica dessa sensação de mineralidade. Seria uma molécula química? Seria a mineralidade proveniente dos minerais do solo?
Seria fruto da comunicação entre consumidores? Um enigma ainda não elucidado e que ainda está em pauta para muitos cientistas no mundo.
Pesquisador em Ciências Sensoriais
 
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