Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

COMENTAR | CORRIGIR

artigo

Notícia da edição impressa de 01/03/2018. Alterada em 28/02 às 21h54min

Os desaparecidos

Felipe Faleiro
Têm sido frequentes, há alguns anos, os programas na televisão por assinatura que abordam casos de pessoas desaparecidas. Audiências à parte, chama a atenção que as histórias, geralmente ocorridas nos Estados Unidos, não diferem muito na forma e conteúdo daquelas que acontecem no Brasil, ou em outras partes do mundo onde estas situações vêm a público. Desaparecimentos comovem a todos, afinal, são rupturas que alteram a ordem da vida, um convívio que deixa de existir em alguma parte. São subversões ao ciclo da existência, às quais ninguém está preparado. Se quem desapareceu é próximo a nós, passamos a exigir respostas, sugerir caminhos, formular ideias. Surgem o desespero e a angústia.
Se é alguém distante, o fato nos penaliza. Colocamo-nos no lugar do outro. Explica a ciência: o homem é um ser social e, como tal, tem na comunidade seu principal refúgio e, na solidão, seu grande medo. O excesso de informação que o diga. Segundo o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no ano passado, mais de 694 mil pessoas desapareceram no Brasil entre 2007 e 2016. Somente no ano retrasado, houve 71.796 registros, equivalente à população de uma cidade como Santa Rosa, no noroeste do Rio Grande do Sul.
O número é ainda mais preocupante se considerarmos que somos um país de dimensões continentais, com milhares de quilômetros de rodovias mal fiscalizadas, além de fronteiras porosas. Não cabe discutir os motivos que levam indivíduos a desaparecer, assim como não há resposta fácil para o problema. Possíveis soluções passam, portanto, por duas esferas: a familiar, com o dever de aconselhar seus entes ao mínimo sinal de transgressão com potencial para o desaparecimento, e a governamental, criando mecanismos e parcerias para combater a criminalidade e provendo apoio psicológico a quem tem o desejo de, simplesmente, sumir.
Acadêmico de Jornalismo, Feevale/NH
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia