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Porto Alegre, terça-feira, 27 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 28/02/2018. Alterada em 27/02 às 22h17min

O demorado acordo do Mercosul com União Europeia

É razoável que um acordo comercial entre dois blocos econômicos, no caso o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE), se arraste, sem ser concretizado, por mais de 20 anos? Evidentemente que não. Porém é isso o que acontece. Mas, agora, a comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, avaliou que a UE e o Mercosul estão próximos de um acerto. A comissária sueca falou sobre o assunto questionada sobre o status das negociações em uma conferência com cidadãos búlgaros em Sofia.
"Eu acho que os problemas em suspenso podem ser resolvidos, mas eu não posso dar uma data", afirmou, destacando que a proximidade das eleições brasileiras aumenta a pressão. Representantes da UE e de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai podem concluir um acordo de livre-comércio em breve. Eles retomaram as negociações em Assunção na semana passada.
"Estamos identificando as dificuldades remanescentes, e ainda estamos discutindo algumas questões relacionadas a exportar carros e a regras de origem", declarou Cecilia Malmström.
Mas tudo indica que o ministro Blairo Maggi, da Agricultura, tem razão quando afirma que o que está por trás dessa injustificada demora é a pressão dos agropecuaristas europeus, franceses à frente, que não querem a concorrência brasileira no seu setor. Segundo uma fonte europeia, o Brasil aceitaria reduzir significativamente as tarifas aduaneiras sobre os carros europeus, desde que eles incluam uma parte significativa de peças fabricadas no Mercosul. Os europeus, entretanto, não aceitam bem isso. "Como sempre, em negociações comerciais, ainda há algumas questões agropecuárias para resolver", afirmou Malmström. Entre os integrantes da UE, França, como citado, e Irlanda são os mais preocupados com potenciais repercussões negativas do acordo para seus setores agropecuários, sobretudo devido à importação de carne bovina do Mercosul.
Quando houve, em 2017, a crise provocada pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, as tratativas para um acordo entre o Mercado Comum do Sul e a União Europeia foram suspensas temporariamente, bem como a importação de carnes do Brasil. O que interessa para nós é a implementação de um acordo de livre-comércio. Parlamentares protecionistas e produtores do Velho Mundo, muitos dos quais não disfarçaram um claro complexo de superioridade, pediram, ainda em 2017, que sejam bloqueadas as importações dos países da América do Sul, "cujo produto não tem a mesma qualidade do europeu".
Ora, justamente por conta da qualidade - e as inspeções rigorosas tanto na saída do Brasil como na chegada aos países compradores são a prova disso - e do preço menor é que a carne do Brasil se impôs na Europa. O livre-comércio no setor de carnes com o Brasil/Mercosul é visto com descontentamento por organizações como a Copa-Gogeca e outras federações europeias.
Tanto que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) acusou a Copa-Cogepa de tentar influenciar negativamente os consumidores europeus ao criar uma imagem falsa sobre as condições de produção no Brasil. E, em apenas um ano, o Brasil exportou US$ 2,5 bilhões em carne, frango e derivados para a UE. Como se sabe desde muito, entre países, geralmente não existem amizades, mas interesses. Por isso o Brasil deve continuar insistindo, até que seja assinado um acordo que seja bom para os dois lados do Atlântico. Não será rápido nem fácil. Mas, convenhamos, está na hora de ambos os blocos se acertarem, no mútuo interesse.
 
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