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Porto Alegre, quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

LIVROS

Notícia da edição impressa de 23/02/2018. Alterada em 22/02 às 18h35min

Machado de Assis, melhores contos

Jaime Cimenti
Cento e dez anos depois de sua morte na casa do Cosme Velho, no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908, Machado de Assis segue como o maior escritor brasileiro de todos os tempos, sempre muito editado, lido e estudado, no Brasil e em muitos países do exterior. Autor de poemas, contos, crônicas e romances, também crítico e teatrólogo, Machado foi alto funcionário do Ministério da Viação e fundador da Academia Brasileira de Letras.
Melhores Contos - Machado de Assis (Global, 374 páginas), da coleção dirigida pela escritora e editora Edla van Steen, com apresentação reelaborada para esta 16ª edição e seleção do consagrado professor, crítico, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras Domício Proença Filho, é das melhores antologias de contos do autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, se não for a melhor.
Depois de escrever sobre a permanência e atualidade da ficção machadiana, Proença explica, na introdução, os critérios utilizados para a seleção e o desafio que foi escolher 29 contos entre os 68 que Machado publicou em sete volumes de histórias curtas.
A coletânea traz contos muito conhecidos e magistrais, como Teoria do Medalhão, Missa do Galo, Uns braços, A Igreja do Diabo, Conto de Escola, Cantiga de Esponsais, O caso da vara, Verba testamentária e o consagradíssimo O Alienista, que alguns consideram como sendo uma novela. O humor, a fina ironia, os estudos psicológicos requintados e a brasilidade dos textos são algumas marcas maiores da ficção do Bruxo do Cosme Velho, que foi romancista genial e não menos genial contista.
Escreveu Domício Proença Filho: "Nos contos machadianos, o que importa é a atitude e o sentir dos personagens, mais do que as ações, a trama e o espaço. Com atenção especial ao modo de fazer o texto, à técnica de construção, caracterizada em frequentes exercícios de metalinguagem. A prosa machadiana continua viva e presente, e presente e viva permanecerá ainda por muito tempo, porque a mentira de sua arte é daquelas que conseguem revelar muito da verdade de nossa complicada condição humana".
É isso. Na urdidura do relato, na transparência da escrita, na universalidade dos dramas, no olhar aprofundado e na análise das almas e sentimentos dos personagens, Machado mostra por que figura como um dos grandes escritores da literatura mundial e por que segue entre nós.

lançamentos

  • Música de montagem - A composição de música popular no pós-1967 (É Realizações Editora, 200 páginas, R$ 39,90), do compositor, professor e palestrante Sergio Molina, mostra a formalização de alterações que remodelaram o processo de confecção da canção brasileira e internacional no pós-1967. O autor analisa obras de Milton Nascimento, Beatles, Gilberto Gil, Stevie Wonder e muitos outros compositores. A obra enriquece nossa bibliografia sobre a canção popular.
  • A Batalha dos Livros (Ateliê Editorial, 136 páginas), de Lincoln Secco, professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo, de modo criativo, profundo e embasado, traça a trajetória da história editorial das ideias de esquerda no Brasil, desde os primeiros escritos socialistas utópicos do Brasil do século XIX até títulos publicados até 2005. Secco coteja, com muita informação, a recepção e a difusão das ideias socialistas no Brasil.
  • Operação Banda Oriental (Editora Catarse, 116 páginas), do escritor, cicloturista, hortelão, professor e jornalista Demétrio de Azeredo Soster, que também é estudante de shakunachi, fala de uma viagem de 1.130 quilômetros, de bicicleta, em 10 dias, de Santa Cruz do Sul a Buenos Aires, atravessando o Uruguai, a partir de Chuy até Colonia del Sacramento, às margens do Rio da Prata. Em 12 capítulos, o autor narra momentos significativos.

Veraneio 2018

Pois é, nosso tradicional veraneio feito de oito fins de semana deste verão de 2018 não terminou. Falta um finde, graças a Deus. Tem esta saideira de sexta até domingo 25, e é bom demais lembrar que a Páscoa está logo ali, no final de março. Melhor deixar umas bebidas e comidas duráveis na geladeira da praia, pensar no feriadão do coelhinho e, que remédio, enfrentar, de novo, em turno integral e por toda a semana, a realidade urbana ou rural. Entre uma viagem semanal e outra, a maioria ficou entre a praia e o asfalto. Para muitos, o melhor veraneio é em Porto Alegre ou nas cidades. Questão de gosto. Gostos, cores e amores não se discutem, dizia minha vó.
É preciso ser forte e firme para enfrentar, como disse um amigo, a "depressão pós-verão" que atinge muitos viventes rio-grandenses, que passam o ano com saudade de nossas lindas praias, com seu mar azul turquês, suas areias finas e brancas e suas ricas fauna e flora. Os gaúchos terão saudades dos engarrafamentos na freeway e da RS-040, dos pastéis e sonhos de beira de estrada, das chuvas e trovoadas e das guias gordas do IPTU dos imóveis das praias. Olhem, senhores prefeitos do Litoral, que os veranistas estão em campanha para transferência de seus títulos eleitorais para o Litoral, e aí o bicho pode pegar. Fiquem espertos.
O melhor do verão segue sendo a turma de amigos, os comes e bebes na beira da praia, da piscina ou mesmo na beira do tempo, em qualquer bar, restaurante, boteco ou coisa parecida que pinte. Aquelas horas, aqueles dias, sem muito celular, jornal, telejornal ou noticiários tenebrosos de rádio, ajudam a colocar nossos sonhos em dia e recarregam nossas pilhas para encarar este aninho de 2018, repleto de indignação contra a corrupção e ainda sem definições claras sobre as eleições presidenciais. Melhor votar em gente nova, renovar o congresso, é o que ouço a toda hora. Tomara que os políticos ouçam esses gritos das ruas e aproveitem os últimos meses para fazer alguma coisa boa. A esperança é a última que morre. Muitos políticos vão morrer na praia, como certos times de futebol.
Há quem fale mal dos condomínios horizontais do Litoral, que tem "town-houses" (casas de cidade), tipo os condomínios da Flórida, cuja maioria fica um pouco afastada da beira da praia. Melhor é ter, nas casas de condomínio e nas outras, bananas, abacaxis, redes, artesanato local, puxa-puxa e outras essências de nossos veraneios antigos, quando a coisa era básica: areia, mar, sol, lua, estrelas, mordidas de siri, creme paraqueimol, pesca de sardinha na ponte Imbé-Tramandaí, chalé de madeira, e sonhos e cachaça em Santo Antônio da Patrulha. Ninguém esquece o primeiro Chica-Bom no braço morto, em Imbé, e os primeiros namoros, azarações e sanduíches sobaka no Boliche de Capão. Amigos, cuidado com os efeitos de overdose de crepes doces e salgados. Degustem os deliciosos crepes com moderação.

a propósito...

Para variar, vou sugerir, de novo, que as férias de verão se prolonguem até 15 ou 20 de março. Março é o melhor mês. Muitas pessoas, especialmente as de menor renda, poderiam aproveitar casas, apartamentos, pousadas, hotéis, colônias de férias e campings. Seria bom para todos, moradores e veranistas. O mar claro, o tempo firme e as noites enluaradas de março sentem saudades dos veranistas. Todo ano repito isso. Vou repetir por mais alguns. Sei que sou um sonhador, mas não sou o único. Junte-se a nós. Veranistas unidos jamais serão vencidos. Ontem sonhei, de novo, com o trem-bala Porto Alegre-Litoral. Ontem sonhei, de novo, com um grande e produtivo diálogo entre os moradores do Litoral e os veranistas. Vamos conversar, nos unir, temos muito em comum, é melhor para todos. (Jaime Cimenti)
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