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Porto Alegre, sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Varejo

Notícia da edição impressa de 29/01/2018. Alterada em 23/02 às 14h44min

Centro Shopping fecha área de lojista para reformas

Empreendimento é tradicional ponto de vendas do Centro Histórico

Empreendimento é tradicional ponto de vendas do Centro Histórico


/CLAITON DORNELLES/JC
Carolina Hickmann
O Centro Shopping, empreendimento destinado ao varejo localizado na Voluntários da Pátria, tradicional rua do comércio do Centro Histórico de Porto Alegre, está no meio de um impasse. De um lado, o grupo Grazziotin, administrador do local, iniciou reformas com a intenção de negociar o piso térreo do prédio de quatro andares para que lojas âncoras ocupassem o espaço. Por outro, os lojistas que ali tinham seus pontos comerciais alegam falta de diálogo e prazos apertados para a troca do ponto.
A administração do grupo Grazziotin informou que o total a ser investido na reforma do prédio ainda não está definido, uma vez que os demais andares também passarão por melhorias. "Nosso propósito é dar mais eficiência ao empreendimento", alega o diretor administrativo do grupo, Marcos Knob, que afirma ser cedo para definir qual bandeira irá se instalar no local. "Temos propostas que estão sendo analisadas", diz, confirmando um dos medos dos lojistas - uma única bandeira ocupará o andar que detém as vitrines para a rua, tirando a visibilidade dos demais andares.
Os que permanecem no centro de compras julgam que o movimento deve diminuir, uma vez que boa parte trabalha com vestuário ou produtos que concorreriam com as lojas âncoras ligadas ao grupo. Todos os funcionários consultados pela reportagem afirmaram que, após divulgação do documento que solicitou a saída do prédio, a administração do Centro Shopping informou que uma loja Grazziotin ocupará o piso térreo.
A notificação de rescisão e retomada foi enviada aos lojistas no dia 1 de dezembro, concedendo 30 dias para desocupação integral. "Escoado o prazo, seremos obrigados a promover as medidas judiciais cabíveis, com os ônus decorrentes", avisa o documento assinado por Maurício Lopes, gerente-geral do empreendimento. Pela alegação da administradora, as datas foram estipuladas levando em consideração o melhor para os envolvidos. "Permitimos que as vendas de final de ano pudessem ser aproveitadas", defende Knob.
Este não foi o entendimento dos que receberam a notícia de que deveriam deixar o seu espaço habitual de comércio. "Fiquei sabendo, antes do Natal, que teria que dispensar meu quadro total de funcionários - imagina como foi meu final de ano", sugere um dos lojistas que não teve loja assegurada nos outros andares do prédio e prefere não se identificar com medo de represálias. "Tinha uma funcionária com mais de 50 anos que, agora, encontrará dificuldades de se realocar no mercado", explica, ao salientar que, em um mês, "comércio algum consegue se organizar para mudar de ponto", o que, para ele, seria uma opção caso houvesse mais tempo.
Por isso, alguns lojistas optaram por manter o funcionamento de suas lojas, apesar da notificação. É o caso de Maed Sdamh, que investiu mais de R$ 200 mil nos oito anos de funcionamento do seu estabelecimento. "Não temos como fechar da noite para o dia. Em um primeiro momento, disseram que poderíamos nos organizar até maio, depois, deram o prazo de um mês", lamenta o lojista, que conta com dois estabelecimentos no Centro Shopping, um deles, com vitrine para a Voluntários da Pátria. Caso haja entendimento e o empresário permaneça no centro de compras, sua loja reabriria em andar superior, sem vitrine e com menor espaço. Sdamh é um dos três comerciantes que permanecem abertos e aguardam uma decisão da Justiça sobre o conflito.
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Comentários
Lairton 10/02/2018 19h44min
Torço para que as partes cheguem a um acordo, mas sem dúvida será muito bem vinda a chegada de um grande lojista nesta área da cidade.