Porto Alegre, quinta-feira, 21 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

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América do Sul

Notícia da edição impressa de 22/12/2017. Alterada em 21/12 às 19h37min

Cenário eleitoral pode confirmar crescimento de partidos conservadores

Suzy Scarton
Não é só no Brasil que a população parece já estar cansada do atual cenário político. O clima de descontentamento rompeu as fronteiras e atingiu a América do Sul como um todo, e, em 2018, três países, além do Brasil, terão a chance de renovar seus governantes.
Paraguai, Colômbia e Venezuela vão às urnas em um clima de insatisfação. Após um período em que legendas de esquerda tiveram o poder nas mãos na região, os pleitos do próximo ano podem reafirmar uma tendência de guinada à direita.
A primeira nação a escolher um candidato conservador como líder foi o Chile. Na metade de dezembro, o ex-presidente Sebastián Piñera venceu sobre o progressista Alejando Guillier por mais de nove pontos de diferença. O Chile segue o mesmo rumo da Argentina, que, em 2015, elegeu Mauricio Macri. Assim como Piñera substituirá a presidente progressista Michelle Bachelet, cuja gestão enfrentou queda de popularidade, a eleição de Macri encerrou o kirchnerismo de Néstor e Cristina Kirchner. No Brasil, a queda de Dilma Rousseff (PT) levou Michel Temer (PMDB) ao Planalto.
VENEZUELA
Enfrentando uma crise política e econômica que ataca principalmente a população, a Venezuela pode escolher, no quarto trimestre de 2018, uma alternativa ao chavismo do presidente Nicolás Maduro. As eleições irão ocorrer sob forte olhar internacional, visto que Maduro é constantemente acusado pela oposição de manipular as votações a seu favor.
O presidente chegou até mesmo a dizer que partidos de oposição não irão participar da disputa no pleito do ano que vem. A ameaça veio após alguns partidos não participarem das eleições municipais. Até agora, a expectativa do governo venezuelano é de que a reeleição esteja garantida, uma vez que a coalizão governista, do Partido Socialista Unido da Venezuela, ganhou por ampla maioria as eleições para as prefeituras no começo de dezembro.
Ainda é nebuloso o papel da oposição no pleito, visto que muitos dos possíveis candidatos estão presos. Henrique Caprilles, do Partido Primeira Justiça, que já enfrentou Maduro nas eleições presidenciais em 2013, e Leopoldo López, do Vontade Popular, um dos líderes da oposição, são dois nomes possíveis. López foi preso em 2014 por incitação de violência durante protestos ocorridos naquele ano, os quais pediam a renúncia de Maduro. Se os direitos políticos e civis de López, que foi liberado para cumprir prisão domiciliar, forem restaurados, é possível que o economista venha com força em 2018.
O surgimento de presidenciáveis que possam disputar com Maduro e o investimento da situação em garantir uma reeleição ocorre em meio a graves acusações contra o governo vigente. Antiga procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Días acusou Maduro e vários membros da administração de terem assassinado cerca de 8 mil pessoas entre 2015 e junho deste ano, quando as ruas da Venezuela foram tomadas por manifestantes que protestavam contra a liderança do presidente chavista. A denúncia foi levada ao Tribunal Penal Internacional de Haia. A grave crise econômica, com sério desabastecimento de alimentos e remédios, deverá pautar as campanhas.
COLÔMBIA
Outra disputa promete chamar atenção no cenário político sul-americano: as eleições colombianas. A presença inédita da Força Alternativa Revolucionária do Comum (atual nome das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Farc) como partido deve servir, também, como termômetro para avaliar o quanto os colombianos são a favor do processo de paz, que entrou em vigor em dezembro do ano passado. A população deve levar em conta quais políticos são favoráveis ou contrários ao acordo do governo com a guerrilha na hora de escolher um candidato no dia 27 de maio.
O líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, já se lançou como candidato. Paira sobre ele a curiosidade a respeito de como irá se posicionar em um cenário no qual não está acostumado a transitar. O atual presidente, Juan Manuel Santos, já está no segundo mandato, ou seja, não pode se candidatar à reeleição. Outros nomes que têm aparecido nas pesquisas colombianas são o de Sergio Fajardo, ex-prefeito de Medellín e hoje governador do departamento de Antioquia, que se identifica como um candidato independente, e o de Gustavo Petro, ex-prefeito de Bogotá, cujo perfil pende mais à esquerda. Pelo partido Mudança Radical, o nome na disputa é de Germán Vargas Lleras, vice-presidente de Manuel Santos. Lleras renunciou ao Senado para se candidatar em 2018.
Por enquanto, o Partido Social de Unidade Nacional, sigla do atual presidente, ainda não apresentou pré-candidatos - o senador Roy Barreras e o ex-embaixador Juan Carlos Pinzón desistiram de concorrer.
PARAGUAI
Primeiro dos quatro países-membros fundadores do Mercosul - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - a mudar de rumo e apostar em um governo de direita com a eleição do empresário milionário Horacio Cartes em 2013, o Paraguai também vai às urnas no ano que vem para escolher um novo mandatário.
Não menos polêmicas, as eleições paraguaias ocorrem no dia 22 de abril. Filiado ao Partido Colorado, Cartes não será candidato à reeleição. Em abril deste ano, ele renunciou a "qualquer possibilidade de reeleição" como forma de dar fim à crise que surgiu quando a sua sigla aprovou, praticamente às escondidas, uma reforma constitucional que permitia a reeleição do atual presidente.
A sequência de mandatos é proibida no país desde o fim da ditadura de Alfredo Stroessner, encerrada em 1992. Como resposta à aprovação da emenda, milhares de manifestantes atacaram o Congresso. Um jovem militante foi morto em conflito com a polícia paraguaia.
Para dar continuidade ao projeto do Partido Colorado, atualmente no poder, o senador Mario Abdo Benítez já se anunciou como pré-candidato. Quem o enfrentará pela oposição será o presidente do Partido Liberal, Efraín Alegre, que disputou o cargo com Cartes em 2013, conquistando 39% dos votos.
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