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Porto Alegre, domingo, 03 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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investimentos

Notícia da edição impressa de 04/12/2017. Alterada em 03/12 às 22h00min

Mercado de arte traz satisfação e riscos

Quadro Salvator Mundi, atribuído a Leonardo da Vinci, foi leiloado por US$ 450,3 milhões

Quadro Salvator Mundi, atribuído a Leonardo da Vinci, foi leiloado por US$ 450,3 milhões


/DREW ANGERER/GETTY IMAGES/AFP/JC
Guilherme Daroit
No mês passado, o leilão de Salvator Mundi, pintura atribuída a Leonardo da Vinci, ganhou as páginas dos jornais e a atenção de investidores. Afinal de contas, o valor da venda, impressionantes US$ 450,3 milhões (cerca de R$ 1,47 bilhão), ultrapassou todos os parâmetros conhecidos: o lance não apenas bateu a marca histórica de avaliação de uma obra de arte em um pregão, como mais do que duplicou o recorde anterior (US$ 179,4 milhões, pagos em 2015 pela pintura Les Femmes d'Alger, de Pablo Picasso). Quem abrir os olhos para esse mercado, porém, precisa se cercar de alguns cuidados - e, principalmente, de conhecimento sobre o tema.
"O bom investidor é o bom investigador", comenta a diretora da Galeria Mamute, Niura Borges. O processo envolve participar do circuito, conversar com galeristas e, claro, entender o processo de trabalho dos artistas. O objetivo final é conseguir reconhecer o que tem valor artístico, aquele profissional com um estilo particular, por exemplo, cujas obras tendem a receber, também, valor financeiro. "Se quiser depois fazer negócio, tem que comprar o artista. O nome tem mais peso do que o objeto em si", continua Niura, dando ênfase às trajetórias dos artistas.
A afirmação é corroborada pela diretora da galeria Bolsa de Arte, Marga Pasquali, que acrescenta que não há bola de cristal para a avaliação do valor das obras, que depende de muitos fatores. "É algo muito subjetivo, e não tem livro de receita. Por isso uma assessoria é quase imprescindível", analisa Marga. Sejam de galeristas, curadores, artistas ou críticos, os olhares apurados ajudam o investidor a entender se as obras têm relevância.
"Habilidade não é, necessariamente, qualidade artística, e essa cadeia tem ferramentas para saber o que é efetivamente bom, mesmo que não agrade na hora", continua Marga. Exemplo clássico é o material produzido pelos impressionistas, rejeitados no século XIX e que, anos depois, se tornariam os quadros mais valiosos do mundo.
Há formas distintas de aquisição das obras. Uma delas é a que, mundialmente, costuma registrar as maiores cifras, que é o leilão. Outra opção é a compra direta junto ao artista. Ambas as diretoras salientam ainda as vantagens da compra feita em galerias. Como essas instituições trabalham com representação de artistas, as obras costumam sair direto dos ateliês para a venda, facilitando o contato entre comprador e criador. Além disso, pela curadoria, acabam servindo como chancela. "As galerias apresentam os artistas que irão circular no mercado. A quem investe, dão segurança para quem é novato no meio", garante Niura.
Em qualquer dos meios, entretanto, o ideal é ter cuidados com a garantia de procedência, se defendendo de possíveis fraudes ou cópias. Os selos e certificados de originalidade são garantidos, geralmente, pela reputação da instituição que os concede, seja galeria ou leiloeiro. O desenvolvimento do mercado no País, aliás, tem ajudado na formalização desses negócios. "Há muitos anos, existia o artista não profissional, hoje não. A cadeia está toda organizada de forma clara, existem a revenda, o certificado, tudo que deixa a pessoa completamente tranquila quanto ao que está pagando", afirma Marga.

Ainda longe da maturidade e das cifras milionárias do exterior, meio artístico cresce no Brasil

Se segue distante das cifras milionárias movimentadas na Europa, a boa notícia é que o mercado de arte brasileiro caminha a passos largos em comparação com a sua situação há pouco tempo. Uma das provas da evolução é o sucesso da SP-Arte, feira de arte que reúne as principais galerias do País e, desde 2005, quando foi criada, só faz crescer. "Era algo impensável há 20 anos dentro do Brasil. Os horizontes estão se alargando, ainda que devagar", comenta a diretora da galeria Bolsa de Arte, Marga Pasquali.
A expansão da feira traz compradores e artistas internacionais para o circuito brasileiro, ainda jovem e pequeno. As próprias galerias, por meio do Projeto Latitude, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), trabalham no estímulo ao intercâmbio artístico com outros países desde 2011.
"Temos uma diversidade cultural que tem chamado a atenção lá fora, existem pessoas mais atentas ao que se faz no Brasil, e isso também ajuda na valorização da arte brasileira", diz Marga. O movimento, agrega a diretora da Galeria Mamute, Niura Borges, gera aporte até para os investidores, pois estão entrando em um mercado em expansão, o que facilita a obtenção de ganhos.
"Nosso mercado ainda tem um futuro sem fim para crescer, porque uma parcela ainda muito pequena da sociedade participa do colecionismo de arte", complementa Marga. O público também estaria em ampliação. "Temos muitos colecionadores, investidores surgindo, especialmente jovens empresários, de 30 a 50 anos, que querem ter o objeto em si, mas que também buscam algo que vá valorizar cada vez mais", comenta Niura. As obras se tornam atrativas porque, pelo histórico das transações, as pinturas e esculturas jamais se desvalorizariam, segundo a galerista - o ponto de partida é sempre o valor anterior.
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