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Porto Alegre, segunda-feira, 03 de julho de 2017. Atualizado às 12h01.

Jornal do Comércio

Economia

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Consumo

Notícia da edição impressa de 03/07/2017. Alterada em 02/07 às 22h45min

Produtos gender-bender ganham mercado

Kits de cozinha e ferramentas, entre outros, acabaram com a distinção entre meninos e meninas ao brincar

Kits de cozinha e ferramentas, entre outros, acabaram com a distinção entre meninos e meninas ao brincar


CLAITON DORNELLES /CLAITON DORNELLES /JC
Adriana Lampert
Mais que um novo nicho de mercado, os produtos gender-bender (além gênero na tradução livre) vêm ganhando espaço nas prateleiras do varejo, suprindo uma demanda reprimida e caindo no gosto dos consumidores. Traduzindo o ideal de liberdade de escolha e quebrando estereótipos, o movimento, que se iniciou no mundo da moda - com criação de saias para homens e ternos para mulheres, por exemplo - chegou também ao público infantil, com a ampliação do uso de jogos e brinquedos de forma igualitária entre meninos e meninas.
"Não é questão de gênero sexual, mas, sim, uma forma de desvincular rotulagens e permitir que as crianças possam escolher com o que elas querem brincar, ao invés de restringir ou tolir a experimentação", comenta a gerente de Marketing da Xalingo, Tamara Campos. Desde 2008, a fabricante de brinquedos já trabalhava com produtos além gênero na linha de jogos. Mas o impacto ocorreu em 2014, quando a ideia foi aplicada também nas linhas de "faz de conta" e cunho afetivo. "Criamos uma cozinha (com fogão, pia e armário) nas cores prata e vermelho e inserimos fotos de meninos e meninas na caixa", comenta Tamara. Segundo ela, esta era uma demanda de muitas mães. "Vimos que existia um nicho que não estava sendo atendido e fomos investigar a importância disso na formação da criança. Hoje, a cozinha (na versão unissex) conquistou espaço nos pontos de venda", conta.
De acordo com a gerente de Marketing da Xalingo, os estudos realizados pela fabricante resultaram na descoberta de que a liberdade no brincar é muito importante para o desenvolvimento dos pequenos. "Brincando, a criança pode inclusive despertar o interesse por uma profissão para o futuro, a exemplo de chef de cozinha", destaca Tamara. Neste sentido, também os blocos de montar ganharam versões unissex, com fotos de meninas nas embalagens que antes usavam apenas imagens de meninos brincando de engenheiro. "Surpreendeu a boa aceitação no mercado", comenta. Para este ano, a marca está lançando o pebolim (fla-flu) da Barbie todo em cor de rosa. "Existem muitas meninas que gostam de futebol", justifica Tamara.
"Sou uma das pessoas que mais campanha fez com fornecedores neste sentido", garante a supervisora da rede Del Turista, Beatriz Dias. Segundo ela, muitas mães buscavam cozinhas para meninos, mas todas as marcas usavam a cor rosa, o que inibia a compra. "Há uns três anos, recebemos a primeira cozinha unissex, toda verde, agora existem várias no estilo gender-bender, com fotos de meninos nas caixas", afirma Beatriz. Outros brinquedos seguem a mesma linha, como os skates de dedo, os kits de ferramentas em tons de vermelho e branco ou lançadores de dardos Nerf de diversas marcas. Ainda não virou "febre", mas a inovação tem ganhado adeptos, garante a supervisora da Del Turista.

Mulheres ainda são mais abertas a adotar peças de vestuário na versão unissex

Matéria sobre produtos gender bender (sem gênero). Loja de vestuário masculino vende jaquetas tanto para homens quanto para mulheres. Confraria Masculina

Matéria sobre produtos gender bender (sem gênero). Loja de vestuário masculino vende jaquetas tanto para homens quanto para mulheres. Confraria Masculina


JONATHAN HECKLER/JONATHAN HECKLER/JC
Apesar do conceito de moda que desafia os limites de gênero, quando se trata de consumidores adultos, em geral as mulheres são mais abertas a utilizar roupas gender-bender. Pelo menos é o que dizem os fabricantes e varejistas. "Nosso público é mais tradicional, e, em geral, quem busca vestuário sem gênero é o pessoal mais moderno, fashion e com ideias mais ligadas à rebeldia", admite o proprietário da Confraria Masculina, Carlos Frederico Schmaedecke. Este ano, uma linha de jaquetas de inverno expostas nas filiais da loja teve uma saída "extra", que pegou tanto o empresário quanto os vendedores de surpresa.
"Muitas mulheres estão comprando, inclusive acompanhadas dos maridos ou namorados", afirma Schmaedecke. Segundo ele, 5% das vendas destes artigos têm sido para o público feminino, principalmente nas cores verde e vermelho. "É um volume muito grande, na minha opinião. Um verdadeiro fenômeno, para uma loja de produtos masculinos."
Fugir do convencional e burlar regras são características que levaram o empresário paulistano Carlos Castro a criar a marca de sapatos sem gênero Dien. Buscando um nicho de mercado que ainda não existisse no País, ele inovou apostando em matéria-prima, mistura da cartela de cores e estampas e nos modelos dos calçados, sem definir um estilo e mesmo um gênero. Todos os sapatos são produzidos da numeração 34 ao 44.
"A principal razão pela qual investi neste segmento foi o fato de ter encontrado nele uma das poucas opções para realizar um grande desejo: criar algo que fizesse sentido às pessoas e onde pudessem traduzir suas personalidades em alguma peça de vestuário, sentindo-se assim bem consigo mesmas", explica Castro.
"Ainda não é relevante, mas a moda gender-bender tem tudo para ser uma boa estratégia de mercado, no entanto é preciso maturar a ideia", avalia o consultor de varejo, Xavier Fritsch. Ele lembra que o varejo tem um "timing" diferente das passarelas, onde estas mudanças de comportamento já ocorrem. Um exemplo são os desfiles do estilista Alexandre Herchcovitch, que apresentam homens de saias.
A neutralidade no guarda-roupa também foi observada pela Grendene, que relançou o chinelo Rider em versão unissex, com uma cartela de cores variadas. "Inicialmente, era voltado para o público masculino, mas o produto tem feito muito sucesso entre as mulheres", diz o diretor de marca e comunicação da Grendene, Marcius Dal Bó.
O estímulo aos produtos gender-bender tem encorajado muitos consumidores a expressar seu próprio estilo. Apesar de não fabricar roupas sem gênero, a C&A é um exemplo de grande rede varejista que "acredita que o melhor de tudo está na mistura". Recentemente, a C&A realizou uma campanha que encoraja as pessoas a terem uma leitura mais individual da moda, por meio da expressão da diversidade. "As peças foram selecionadas para mostrar que a roupa pode ser utilizada para se expressar no dia a dia e como forma de conexão com o mundo", informa a assessoria de imprensa da varejista.
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