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Porto Alegre, segunda-feira, 03 de julho de 2017. Atualizado às 12h41.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 03/07/2017. Alterada em 02/07 às 21h46min

Preço do boi em queda e sem boas perspectivas

Até o mês de maio, Brasil deixou de exportar o equivalente a 60 mil toneladas de carne bovina

Até o mês de maio, Brasil deixou de exportar o equivalente a 60 mil toneladas de carne bovina


/CI/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
Poucos períodos recentes da história foram tão turbulentos para o mercado da carne quanto o primeiro semestre deste ano. O circuito de incertezas começou em março, com a Operação Carne Fraca, teve sequência com a crise envolvendo as denúncias de Joesley Batista (dono da JBS) e suspensão da compra do produto pelos Estados Unidos, em junho.
Aliado a isso tudo, com a economia brasileira em queda há retração no consumo de carne bovina no mercado interno - originada na renda menor e desemprego em alta. As exportações do setor estão em queda desde fevereiro e acumulam redução de 10,4% até maio, com recuo de 60 mil toneladas comercializadas no período, no comparativo com ano anterior.
Os resultados dessa equação incluem preços menores pagos ao produtor. Segundo Pedro Piffero, integrante da diretoria do Sindicato Rural de Alegrete e da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), o quilo do boi para abate, hoje, está em torno de R$ 4,80 e R$ 4,90. No final do ano passado, nesta mesma época, chegou a R$ 5,50. Os remates de terneiros na primavera, diz Piffero, são outro exemplo concreto da redução dos preços ao produtor. A média em 2016 chegou a R$ 6,39 em Alegrete está R$ 5,39 neste ano.
"Com a redução no preço, o produtor tem vendido mais vacas para abate, por exemplo, já que o terneiro, que antes rendia R$ 1,1 mil agora está valendo cerca de R$ 900,00. Mesmo assim, é preciso vender, mas apenas em número suficiente para pagar as contas. Em alguns casos ocorre ao contrário, e o produtor precisa escoar mais para ter a mesma receita", lamenta Piffero, que estima o abate no Estado estável em cerca de 2 milhões de cabeças por ano.
O pecuarista, porém, afirma que houve um maior ingresso de carne do Centro-Oeste no Estado no primeiro semestre, já que o gado que estava no campo com destino ao exterior acabou sobrando na região, que tem maior volume de vendas externas e também enfrentou problemas maiores com a redução dos negócios da JBS. Com tantas questões nebulosas no mercado doméstico e internacional, se tornou inviável qualquer tipo de projeção para o setor no segundo semestre, diz Piffero.
"Antigamente, tínhamos no mercado futuro do boi gordo um balizador das tendências. Hoje, não temos nenhum tipo de referência segura", pondera Piffero, recomendando ao produtor focar mais na gestão e na redução de custos e no controle das despesas do que nas vendas.
Presidente do Sindicato dos Leiloeiros Rurais (Sindiler), Jarbas Knorr também destaca a queda no preço dos terneiros com um indicativo de retração do mercado. Para ele, a crise da carne somente não está afetando de forma mais drástica os pecuaristas porque a maior parte conseguiu se capitalizar com a soja nas últimas safras. Mas Knorr se mostra sem esperanças de melhora no mercado da carne bovina em pouco tempo.
"Não vejo luz no fim do túnel. Em novembro, o preço do terneiro ainda estava em R$ 5,20, rapidamente começou a cair e hoje não chega a R$ 5,00. O preço do boi gordo em queda é apenas a ponta do iceberg", diz Knorr, lembrando que a redução desestimula a criação e, aos poucos, o plantel tende a ser reduzido.
Mesmo com os contratempos de preço e mercado em queda, o cenário gaúcho é melhor do que o nacional, avalia Fernando Henrique Iglesias, analista de mercado de proteína animal da consultoria Safras & Mercado. "Em São Paulo, o preço da arroba caiu de R$ 150,00 para menos de R$ 120,00 somente neste ano. Já o Rio Grande do Sul tem um mercado mais estável e se regula com equilíbrio entre abate e consumo interno", avalia Iglesias, destacando, porém, que em nenhum local está ocorrendo a redução de preços também para o consumidor.
O consultor explica que a crise do setor teve início, de certa forma, ainda no final do ano passado, quando cotações da soja e do milho encareceram a ração. E o pior cenário, diz Iglesias, não é o da carne bovina. "Manter o gado no campo e esperar por preço melhor não é tão caro quanto manter suínos e aves. E, no geral, o mercado é adverso e incerto para todo o setor da proteína animal", alerta o especialista.
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Comentários
Margarete Machado 03/07/2017 10h26min
A tendencia é cair mais ainda, pois as pessoas estão deixando de comer proteína animal....diante de inúmeras campanhas de saúde defendendo a carne vermelha como uma das causas do câncer.
Francisco Berta Canibal 03/07/2017 08h17min
Segundo me informei na região sul do estado, estive em Pelotas a crise é muito maior do que a avaliação desta reportagem. Não tem preço e retraidos os produtores para compra, devido a falta de comprador de gado gordo. Agora a carne do Brasil Central é que irá determinar preços futuros.....