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Porto Alegre, domingo, 25 de junho de 2017. Atualizado às 22h03.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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opinião

Notícia da edição impressa de 26/06/2017. Alterada em 23/06 às 18h22min

Economistas, voltem aos bancos escolares

Paulo César Régis de Souza
Nossos economistas criaram a "teoria do caos" divulgando dados sobre nossa "falida" economia, quebradeira de empresas, desemprego em massa, fuga de capitais, baixo crescimento, recessão etc. Com isso, tivemos a alta do dólar e do euro, queda das bolsas, desvalorização das ações de nossas maiores empresas estatais e privadas.
Em seus gráficos mirabolantes, economistas mostravam alta do desemprego, taxas de juros exageradas, inflação subindo e, principalmente, que a economia não crescia, quedas nas metas do governo enquanto as expectativas de crescimento do PIB, ainda que modestas, não eram atingidas. Enquanto isso, bancos, seguradoras, agronegócio, planos de aposentadoria cresceram, com lucros acima do normal.
Os especuladores aproveitavam a onda e investiam cada vez mais naquilo que os economistas, empregados das grandes corporações, diziam que iria haver: uma quebradeira geral. E com isso ganharam muito.
Apregoavam também esses arautos "economistas" que só se resolveria o problema da quebradeira geral do País com a reforma da Previdência, que depende de reforma da Constituição, e da reforma trabalhista, que independe de reforma constitucional.
Na verdade, a Previdência ajudou a salvar o País do tal buraco por ser a maior distribuidora de renda do Brasil, paga em dia e não é deficitária. O governo diz que é, mente deslavadamente. A base aliada (movida a verbas e cargos) acredita e o empresariado, sempre omisso, aceita e finge que acredita.
Quem está salvando o Brasil são os brasileiros que não acreditam nessa falácia criada pelos economistas de plantão e continuam a trabalhar e a consumir com consciência, fazendo sua parte e descolando a economia das ações de um governo corrupto e comprometido, junto com um Congresso sem corpo e sem alma - com o que há de pior na sociedade brasileira.
Quem salvou o Brasil foi o agronegócio que mesmo sem dinheiro do Bndes, e distanciado de Brasília, continuou plantando e exportando. A reforma da Previdência com propostas elaboradas em gabinete pelo "Especialista em Previdência" do IPEA, Sr. Marcelo Caetano, é uma falácia um "Frankenstein" encomendado pelo governo.
Na reforma, não há uma linha sobre o que tem que ser realmente feito na Previdência, nos diferentes regimes. No Regime Geral, não se fala no rombo dos rurais. Nos Regimes Próprios (RP) não se fala nos rombos dos militares, no RP da União também não, nos RPs dos estados e municípios muito menos - justamente onde está o x de tudo. Ainda em relação aos estados e municípios, ao invés de resolver o problema da dívida de R$ 100 bilhões, concedeu um reparcelamento por 30 anos! Para agravar o déficit da Previdência, RGPs e RPs.
Não há uma linha sobre ação a predatória do Ministério da Fazenda que se apropriou de todos os recursos da Previdência, inclusive com a DRU, para fazer política fiscal e produzir recursos para financiar o déficit fiscal.
O problema da Previdência no momento é de gestão, não temos ministério. O ministro que administra 60 milhões de segurados, 33 milhões de beneficiários entre aposentados e pensionistas, arrecada R$ 360 bilhões/ano (?), é virtual, ninguém sabe. Ninguém viu, nem sabe o que se passa debaixo do tapete da reforma, com a espetacularização da compra de votos e apoios, com emendas e cargos! Boa coisa não é. Não há o menor compromisso com o ideário de Eloi Chaves, com a Previdência Social e a Seguridade Social. Só há compromisso fixo, obsessivo e definitivo com o orçamento fiscal.
Osmar Terra, sentado em seu austero gabinete, não fala sobre reforma, mas administra o INSS e, provavelmente, nas próximas eleições vai pedir os votos dos aposentados para se eleger. Cuidado ministro, o INSS está sucumbindo debaixo de seus pés. É necessário recriar o Ministério da Previdência.
Vamos reformar o necessário, não o que os economistas "terceirizados" a serviço do mercado, dos bancos e das seguradoras querem. O nosso problema está no financiamento dos regimes geral e próprios, nosso maior déficit está no rural.
Nietzsche dizia em seu famoso aforismo: "Aquilo que não me mata, me fortalece". Do caos criado pelos economistas ou da poesia de Nietzsche, fica a lição que um povo trabalhador é mais forte do que qualquer governo.
Vice-presidente Executivo da Associação Nacional dos Servidores Públicos, da Previdência e da Seguridade Social (Anasps)

Processos corporativos de prevenção a fraudes no Brasil são insuficientes

Eduardo Person Pardini
Em fevereiro deste ano, a Kroll publicou o seu Relatório Global de Fraude e Riscos 2016/2017, resultado de uma pesquisa realizada com 545 executivos seniores em todo o mundo.
Alguns pontos desta pesquisa chamam atenção. Um deles é a constatação do que já sabia sobre o crescimento da incidência de fraudes de forma acentuada, onde 82% dos entrevistados relataram caso de fraude nos últimos 12 meses, contra 70% em 2013.
É notório que a complexidade do ambiente corporativo e de negócios tem criado espaço para novos e mais complexos riscos de fraudes, sem que a empresa tenha possibilidades de se preparar para mitigá-los.
Um número crescente de ciberataques tem sido reportado e a pesquisa demonstra que 85%, das empresas entrevistadas, sofreram um ciberataque ou ocorrência de perda e roubo de informações.
Mas o que me chamou mais atenção foram três pontos diretamente relacionados à pesquisa focada no Brasil, são elas: 68% das ocorrências de fraudes foram detectadas aqui, um número menor do que a média global de 82%; aumento da percepção de exposição à fraude para 92% dos entrevistados; o principal meio para detecção foi a através dos trabalhos da auditoria externa.
Uma análise mais detalhada sobre os pontos acima me fez entender que os sistemas de controles internos existentes nas empresas brasileiras não são suficientes para detectar e/ou prevenir ocorrências de fraudes.
A falta de investimento, devido à crise econômica, nos processos de gestão pode ser um dos motivadores, mas acredito que a maior parcela disto é a falta cultural de consciência e comprometimento com os fundamentos de governança e compliance.
Não é papel dos auditores externos detectar fraudes. A empresa tem outros mecanismos de defesa, que devem ser mais apropriados para este objetivo, como, por exemplo, o canal de denúncias. No caso do Brasil, a detecção por este recurso esta muito abaixo quando comparado ao resultado global.
Para reverter esta situação, as corporações no Brasil devem endereçar este assunto de forma clara e objetiva. Não é mais possível fingir que tem governança ou que combatem a fraude e/ou a corrupção, seja uma empresa do setor privado ou público.
A alta gestão tem que ter compromisso com as melhores práticas de governança. Ela deve ter consciência que os riscos existem e que os gastos com os processos de gerenciamento de riscos e controles internos são, na realidade, investimentos.
Primeiro porque aperfeiçoa o capital aplicado em sua estrutura organizacional e, em segundo, porque minimiza o possível impacto financeiro de uma perda gerada por fraude ou corrupção. A pesquisa demonstra que o custo médio das perdas financeiras por fraude é entre 1% a 3% do faturamento.
A empresa deve trabalhar e difundir em toda sua organização a cultura da gestão baseada em riscos. Não adianta a empresa contar em sua estrutura com gestor de riscos, auditores e especialistas em controles internos, se os gestores da empresa, em todos os níveis, não forem proficientes em riscos e controles internos.
A liderança deve ser visionária e comprometida com a ética, de nada adianta ter código de conduta ética ou programas de compliance se os lideres não exemplificam em seus atos compromisso irrestrito com estes atributos.
A auditoria interna, como órgão de monitoramento independente, tem papel crucial em todo este processo. O auditor é um dos agentes de mudança, mas para isto ele deve ter sua objetividade preservada através de uma postura profissional integra e ser proficiente ao atuar em conformidade com as normas internacionais de auditoria.
Espero que as empresas, através de seus gestores, acordem para uma nova realidade, para um novo ambiente corporativo, onde o valor da empresa é construído não somente pelo valor gerado para as partes relacionadas, mas também baseado em como ele é gerado.
Quem sabe, nas próximas pesquisas podemos nos deparar com um resultado mais positivo no processo de combate a fraude e a corrupção.
Sócio da Crossover Consulting & Auditing
 
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