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Porto Alegre, quarta-feira, 24 de maio de 2017. Atualizado às 22h15.

Jornal do Comércio

Dia da Indústria 2017

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editorial

Notícia da edição impressa de 25/05/2017. Alterada em 24/05 às 16h19min

Crise política gera cenário de incertezas para a economia

Gravação de empresário com o presidente Michel Temer desestabilizou o governo

Gravação de empresário com o presidente Michel Temer desestabilizou o governo


EVARISTO SA/EVARISTO SA/AFP/JC
Pedro Maciel, editor-chefe
A mais grave crise política do País dos últimos tempos, que atingiu o auge na semana passada quando chegou ao Palácio do Planalto e envolveu diretamente o presidente da República, Michel Temer, a partir da delação premiada do empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo JBS, é, concretamente, a maior ameaça à retomada da economia brasileira. Exatamente em um momento em que a maioria dos índices representativos da situação econômica brasileira, entre eles a queda da inflação e a desaceleração do ciclo de fechamento de vagas de trabalho, sinalizavam a saída da pior recessão da história do País, as gravações apresentadas por Joesley Batista desestabilizam o governo - com a abertura de inquérito contra Temer no Supremo Tribunal Federal (STF), o risco de impeachment se tornou real e imediato.
Tal situação política, é evidente, ameaça o País de paralisia em todos os setores. É bem verdade que a pesquisa semanal Focus, feita com os economistas do mercado financeiro e apresentada nesta segunda-feira ainda não mostra todo o potencial de prejuízo que a economia pode sofrer. A média do IPCA, a inflação oficial, para este ano teve uma leve redução, de 3,93% para 3,92% e, para o ano que vem a mediana caiu de 4,36% para 4,34%.
As previsões do relatório Focus para o Produto Interno Bruto (PIB) também foram mantidas. A mediana do PIB para este ano continua em alta de 0,50% e para 2018 a perspectiva é de crescimento de 2,50%. Para a produção industrial, as projeções indicam um cenário de recuperação neste e no próximo ano. São dados, contudo, que ainda não refletem o cenário pós-crise política - até porque, embora a situação crítica do presidente Temer, ainda é prematuro predizer o que realmente pode acontecer, tal é o leque de possibilidades e incertezas abertas ao futuro político do País.
Mas, sem dúvida, a delação dos executivos da JBS é um fato que não deixará de ser considerado nas futuras projeções dos especialistas em economia e mercado. O próprio presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, foi obrigado a admitir que as incertezas aumentaram significativamente com a crise política. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na mesma direção admitiu que as reformas devem atrasar algumas semanas. E para tentar conter o nervosismo do mercado, Meirelles e vários secretários do ministério participaram de teleconferências com analistas e investidores. Foi em uma delas, com empresários e investidores estrangeiros, que o ministro reconheceu o atraso da agenda das reformas.
A Câmara dos Deputados e o Senado também tentam participar do esforço para mostrar um mínimo de normalidades nas atividades. Nesta segunda-feira, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), se apressou a anunciar que colocará a reforma da Previdência em votação entre os dias 5 e 12 de junho. O relator da reforma trabalhista no Senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES) e o presidente interino do PSDB e presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Tasso Jereissati (CE), também encaminharam a leitura do relatório na CAE e tentam levar o projeto ao plenário. Segundo eles, as reformas não são de interesse do governo, mas do País.
No caso do Rio Grande do Sul, onde a produção agroindustrial ainda é o motor do desenvolvimento estadual, os sucessivos recordes da safra têm evitado um quadro mais dramático para o setor privado da economia.
O Índice de Desempenho Industrial (IDI) da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), divulgado neste mês, mostra uma perspectiva de recuperação, segundo o presidente da entidade, Heitor Müller. "A indústria gaúcha, depois de três anos de queda, passa por um período de estabilidade, ainda que marcado pela volatilidade", avaliou. Contribuiu para esse diagnóstico o crescimento do faturamento e da massa salarial.
Claro que o futuro da indústria gaúcha, como notou Müller, está ligado à demanda doméstica, "o que depende de um ambiente mais propício aos investimentos, incluindo a aprovação das reformas, como a da Previdência e a trabalhista, e o ajuste fiscal".
Mas antes de mais nada, o País precisa retomar a normalidade na política. Sem ela, a economia também viverá dias de incerteza, talvez mais graves e de maior extensão do que a turbulência provocada pela gravação feita pelo empresário Joesley Batista durante a reunião com o presidente Temer.
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