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Porto Alegre, quarta-feira, 24 de maio de 2017. Atualizado às 22h05.

Jornal do Comércio

Dia da Indústria 2017

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COUREIRO-CALÇADISTA

Notícia da edição impressa de 25/05/2017. Alterada em 24/05 às 18h05min

Retomada a passos lentos

Paese diz que exportações ajudaram em 2016

Paese diz que exportações ajudaram em 2016


VALTER PAESE/VALTER PAESE/DIVULGAÇÃO/JC
O mercado doméstico do setor coureiro-calçadista aponta, gradualmente, para uma retomada na demanda, mas que só deve ser sentida com mais força a partir do segundo semestre. "Isso se não tivermos nenhuma surpresa política no caminho que, como de praxe, sempre tem influências na economia", observa o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein. Como o setor comercializa 85% da sua produção no mercado doméstico, a perspectiva é de encerrar o ano com um leve incremento na produção.
Conforme dados da entidade calçadista, o setor vem registrando quedas nas vendas desde 2013, com uma acentuação a partir do segundo semestre de 2014. Klein acredita que o ano passado tenha sido o ápice desse movimento, quando foi registrado um revés de 15% nas vendas e uma queda na produção em torno de 2%. O quadro fez com que o setor também rompesse a barreira histórica dos 300 mil empregos diretos, encerrando 2016 com 284 mil postos gerados.
Com a aprovação da regulamentação da terceirização, o dirigente da Abicalçados espera que haja uma maior produtividade para o segmento e mais segurança para as relações de trabalho. "Diferentemente do discurso de alguns, o projeto não tira os direitos consagrados na CLT. Pelo contrário, ele protege o trabalhador de forma dupla, já que regulamenta que caso a empresa terceirizada não cumpra com os encargos, o contratante da mesma deverá fazê-lo", afirma Klein.
No mercado há mais de 20 anos, a marca Anzetutto, de Novo Hamburgo, produz em média 16 mil pares de calçados por mês e emprega 130 pessoas. O diretor comercial da empresa, Valter Paese, diz que a exportação ajudou os resultados de 2016, já que as vendas internas diminuíram devido à retração do mercado e inadimplência. Do total de pares produzidos no ano passado (198.900), 17,50% foram embarcados para fora do País. Os principais compradores do produto gaúcho são Europa, América do Sul, Austrália, Emirados Árabes e África do Sul. A expectativa para este ano é de uma pequena melhora em comparação com 2016. "Pensamos que 2017 não é o ano da retomada total, mas sim de uma pequena melhora em relação a 2016. Acreditamos muito no nosso produto para um crescimento no mercado interno em torno de 10%", afirma Paese.

Reconhecimento mundial

Couro brasileiro é reconhecido por sustentabilidade, design e qualidade, diz Bello
Couro brasileiro é reconhecido por sustentabilidade, design e qualidade, diz Bello
CICB/DIVULGAÇÃO/JC
O calçado nacional tem qualidade, tecnologia, design e flexibilidade para atender aos mais diversos públicos mundiais. Hoje, o produto Made in Brazil está presente em mais de 150 países e em nada deve aos importados. No entanto o alto custo de produção - com carga tributária entre as mais elevadas do mundo e infraestrutura cara e ineficiente - encarece o produto final. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), cerca de 15% da produção nacional é enviada para fora do País.
Conforme o mais recente dado divulgado pela entidade, no primeiro trimestre do ano, a exportação - em volume - caiu 1,6% na relação com igual período de 2016. E os preços dos produtos brasileiros para o exterior aumentaram 16%. "Nossos calçados, em virtude da subvalorização do dólar, ficaram mais caros, pois nossos custos são em reais, hoje mais forte", comenta o presidente executivo da entidade, Heitor Klein. Nos três primeiros meses do ano, o Estado seguiu como o maior exportador de calçados, 6,87 milhões de pares, que geraram US$ 113,66 milhões, altas de 6,4% em pares e 18% em dólares na relação com o mesmo período de 2016. Com isso, o Rio Grande do Sul respondeu por quase 44% dos valores gerados pelos embarques de calçados no Brasil. O segundo exportador do País foi o Ceará.
Já o setor de couros aposta no reconhecimento mundial do produto brasileiro para ter bons resultados com as exportações em 2017. Com cerca de 70% da produção voltada ao mercado externo - em torno de 28 milhões de peles anualmente -, a estimativa do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) é de crescer até 5% no envio de produtos para fora do País. Para o mercado interno, a entidade prevê estabilidade.
Os mercados-alvo para o couro brasileiro em 2016 e 2017 são China, Hong Kong, Itália, Estados Unidos, Vietnã, Índia, Tailândia, Espanha e Polônia. "Nosso couro é reconhecido por ser um produto sustentável, com design e qualidade. O Brasil é pioneiro em todo o mundo ao instituir a Certificação de Sustentabilidade do Couro Brasileiro (CSCB). Trata-se de um programa inédito por reconhecer empresas alinhadas ao tripé da sustentabilidade (economia, meio ambiente e sociedade), com avaliação de 173 critérios e com auditorias realizadas por organismos certificadores do Inmetro", explica José Fernando Bello, presidente executivo do CICB.

Usaflex fortalece a marca com a abertura de franquias

Mesmo com as dificuldades do mercado interno, a Usaflex, de Igrejinha, fechou 2016 com saldo positivo e as vendas mantidas próximas ao ano de 2015, afirma o COO da marca, Marcelo Cavalheiro. Os resultados mostram que houve 4.112.110 pares faturados e 4.066.929 produzidos. Deste número, mais de 157 mil foram exportados para mais de 20 países. Os principais compradores do produto brasileiro são Kuwait, Bolívia, Argentina, Uruguai, Arábia Saudita e Costa Rica. "O que fortaleceu a marca e as vendas em 2016 foram as aberturas de novas lojas franqueadas. Finalizamos 2016 com 26 lojas em operação", diz o empresário.
Segundo Cavalheiro, com a entrada dos novos gestores na empresa, a marca planeja um crescimento acelerado para o futuro. O plano estratégico está baseado na ampliação do perfil das consumidoras e maior ênfase na relação moda/conforto. Essa meta tem como base investimentos em marketing e tecnologia e o fortalecimento do canal de franquias. "Para este ano já enxergamos otimismo no mercado de forma geral", observa. No final do ano passado, a empresa vendeu 69% do controle de sua operação para a WSC Participações S.A., empresa controlada pelo fundo de Private Equity Axxon Group, em parceria com o coinvestidor Sergio Bocayuva. A Usaflex tem 2,8 mil colaboradores, sete unidades (a oitava está em implantação), todas no Rio Grande do Sul, e capacidade produtiva de 25 mil pares/dia.
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