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Porto Alegre, quinta-feira, 01 de setembro de 2016. Atualizado às 23h15.

Jornal do Comércio

Opinião

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Artigo

Notícia da edição impressa de 02/09/2016. Alterada em 01/09 às 19h23min

Ostracismo como aprendizado

Fábio Hoffmann
Havia já um consenso de que a população não aguentava mais ver esse processo de impeachment se arrastando enquanto a fila de desempregados aumenta vertiginosamente e reformas importantes não podem mais serem proteladas.
A derrota de Dilma Rousseff e do PT foi pior do que imaginavam seus principais líderes. Tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, a aderência pró-impeachment cresceu e se consolidou durante todo o processo. Os erros cometidos para que se chegasse a esse resultado foram muitos, e em alguns casos até inocentes do ponto de vista do jogo político. No entanto, acredito que o principal erro foi a falta de um planejamento para enfrentar uma nova realidade econômica mundial que acenava sua chegada ao Brasil. Disso resultou uma reformulação macroeconômica equivocada, dando prioridade para a participação do Estado com mais aumento de gastos, quando devia caminhar para o seu oposto. Depois veio a necessidade eleitoral, e a reeleição de Dilma foi a prova cabal de que a racionalidade schumpeteriana de democracia chegaria ao extremo: a reeleição como prioridade cega, as contas públicas relegadas a um segundo plano e a indiferença no tratamento equilibrado com as elites que compunham sua coalizão. O doping de seu governo, uma vez reconhecido, foi trabalhado pelas elites políticas para ser execrado em praça pública.
O erro na indicação de Lula da Silva (PT) para a Casa Civil diante de sua condição de investigado, e a falta de habilidade para lidar com um homem então poderoso como Eduardo Cunha (PMDB), além da completa falta de criatividade para formular slogans compatíveis com a necessidade da estratégia do partido e do sentimento da população fizeram do impeachment hoje uma realidade consumada. Nesse momento, mais do invocar os gritos de seus militantes mais raivosos, o ostracizado PT precisa de muita reflexão interna para ganhar competitividade novamente, assim como nossa democracia precisa de amadurecimento para continuar a subjugar ao império da lei interesses que lhe são nefastos.
Cientista político
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